Categorias
Artigo

O pequi é nosso, o Cerrado foi sequestrado

Enquanto Caiado fica nesta briga para saber se o pequi é de Goiás ou de Minas Gerais, eu digo: o pequi é do Brasil inteiro. Tem pequi no Tocantins, na Bahia, no Piauí, no Ceará, no Mato Grosso. Ao invés de ficar nesta conversa fiada sobre o pequi, Caiado e o seu colega mineiro Romeu Zema tinham é que cuidar do que sobrou do Cerrado.

Sem Cerrado não tem pequi.

Estes dois sujeitos deveriam “tomar tento” e mobilizar as bancadas federais de Goiás e Minas Gerais para aprovar projeto que está parado há mais de 20 anos na Câmara Federal e torna o Cerrado e a Caatinga patrimônio do povo nacional.

De resto, esta conversinha de  de capital do Cerrado, Terra do Pequi e Planeta dos Macacos é tudo a mesma enrolação.

Confira:

 

PEC transforma Cerrado e Caatinga em patrimônio nacional

 

 

 

 

Categorias
Artigo

Dória ganha a ‘queda do braço’

Brasileiro faz piada de tudo e no Instagram já estão perguntado: “Bolsonaro vai tomar no braço, ou no bumbum a  vacina chinesa”?

Categorias
Artigo

Goiânia merece o legado humanista de Maguito na sua administração

Maguito apresenta ao presidente FHC o programa do governo de Goiás de coação de cestas de alimentos às famílias necessitadas do Estado

A covid19 já ceifou a vida de 206 mil brasileiros.

Nenhum deles é uma estatística.

São homens e mulheres de carne e osso. Todos tem nome, sobrenome, pais, filhos, amigos, pessoas que os amavam.

Um destes mortos foi o ex-governador e prefeito de Goiânia Maguito Vilela.

Maguito se foi, mas deixou um legado.

Melhor se não tivesse ido. Melhor se estivesse aqui.

Maguito era simples, mas de grandes gestos. 1994: o Brasil passava fome. Um homem esquelético, pálido, franzino se pôs às ruas com a Campanha Contra a Fome e Pela Vida. Seu nome Hebert de Souza, o Betinho, “irmão do Henfil”, como cantou a saudosa Elis Regina.

Maguito ouviu seu grito, e no último debate do primeiro turno naquela campanha de 1994 que o levaria ao governo, ele se comprometeu: “Se eleito governador vou criar um programa para distribuir cestas de alimentos a quem tem fome”.

Foi eleito e cumpriu a promessa: Criou a Secretaria de Solidariedade Humana, tendo o fiel escudeiro, Euler de Morais para tocar a pasta.

Goiás e o Brasil estão de novo às voltas com o fantasma da fome. O desemprego está devolvendo à miséria 30 milhões de brasileiros, muitos deles, aqui em Goiás.

Maguito enxergou isto. Na campanha ele manifestou sua preocupação. Lançou a ideia do IPTU social e chegou a falar da necessidade de alimentar as famílias atingidas pela violência da pandemia do coronavírus e pela injustiça do desemprego.

Goiânia merece fazer jus ao legado deste humanista.

Iris gostava de asfalto? O povo também, afinal, ninguém quer morar na poeira.

Maguito gostava de gente. Maguito não doou somente cestas de alimentos, botijões de gás, leite e pão, lotes, casas populares e fez a regularização da Terra Kalunga. Maguito deu dignidade ao povo.

O prefeito Rogério Cruz tem o desafio de manter esta chama acesa. E ele tem as ferramentas à mão. O secretariado escolhido por Maguito Vilela tem homens e mulheres experientes. O povo deu o recado nas urnas. Elegeu Maguito mesmo estando ele na UTI no distante Albert Einstein em São Paulo.

O povo disse o que quer: um governo humano, uma gestão que olhe para as necessidades imediatas da sobrevivência.

Há fome nas periferias.

Há ônibus que não chegam, ou, que quando chegam, humilham os pobres com 60, 90 minutos de atraso.

O povo quer pão. Quer emprego. Quer o direito de ir e vir. Quer o direito a um teto.  O povo quer ser tratado como cidadão.

Maguito deve estar olhando por nós, esperançoso ao lado de Betinho, rindo, fazendo resenha com Cocá, vendo se o amigo e ex-dirigente esportivo consegue escalar Maradona no time deles para o próximo rachão lá do céu.

Deus te guie Maguito, para que sua luz se junte a Dele e ilumine a todos nós.

 

Veja também: Entrevista de Maguito no Roda Viva em 1997:

Maguito Vilela

13/1/1997 – Roda Viva

O então governador de Goiás explica por que é contra a reeleição e fala dos programas sociais que empreendeu em seu estado e que elevaram seu índice de aprovação pela população

 

Categorias
Arquivo 2016 Direitos Humanos Judiciário Política

Retrospectiva: Há 4 anos ex-desembargador Homero Sabino denunciava os excessos do juiz Sérgio Moro e dos procuradores da Lava Jato

Numa entrevista em 31 de dezembro de 2016, os 88 anos, o ex-desembargador Homero Sabino advertia contra os excessos da “República de Curitiba”. Sobre o ex-juiz Sérgio Moro dizia: “Juiz não é algoz”. Em relação ao ativismo dos procuradores da Lava Jato alertava que “a Lava Jato tem que chegar ao fim, senão via ditadura do Judiciário”.

Passados quatro anos, as falas de Homero Sabino soam como proféticas. Sentenças proferidas no STF (Superior Tribunal de Justiça) e no STF (Supremo Tribunal Federal) apontaram falhas gravíssimas na condução da Operação Lava Jato, lançando sob suspeição o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa.

Em novembro, Moro, que foi ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro assumiu consultoria em empresa norte-americana que presta serviços à Odebrecht, empresa que, como juiz, Moro negociou acordo de delação premiada. Deltan foi advertido pelo TCU (Tribunal de Contas da União) por se apropriar indevidamente de R$ 2,3 bilhões de recursos da Petrobrás que os procuradores de Curitiba pretendiam usar ao bel prazer, numa ONG (Organização Não-Governamental) por eles criada para gerir dinheiro recuperado de supostos esquemas de corrupção.

Vale a pena ler novamente a entrevista com o decano do Judiciário goiano, principalmente após a decisão do STF que ressalta que perícia feita pela Polícia Federal atesta integridade de mensagens hackeadas de procuradores e publicadas pela imprensa (Folha, The Intercept, BandNews) no escândalo que foi denominado “Vaza Jato” e mostrou graves desvios éticos e funcionais dos procuradores curitibanos e do ex-juiz Sérgio Moro na condução da Lava Jato.

Confira a entrevista:

“Decano da magistratura em Goiás diz que juiz não é algoz e deve falar somente nos autos, critica excessos cometidos na Lava Jato e avalia que é preciso uma nova Lei de Anistia para pacificar o país”

 

Ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, ex-presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), fundador e ex-presidente da Asmego (Associação dos Magistrados do Estado de Goiás), o desembargador aposentado Homero Sabino tomou posse na noite de ontem como primeiro vice-presidente na diretoria executiva da Asmego. A cerimônia, que empossou na presidência o juiz Wilton Muller Salomão, ocorreu no auditório da entidade.

Decano da magistratura, Homero Sabino continua aos 88 anos um homem de coragem. Em seu discurso, ele defendeu a retomada do garantismo como princípio maior dos operadores do Direito: “Juiz garantista que fui, vi do meu gabinete a perspectiva de fundar a Asmego. Não por coincidência, bem na época em que os direitos também de magistrados eram perseguidos pelos governos ditatoriais, que um dia mancharam a história de nossa Pátria, o Brasil. Como juiz da Quarta Vara Criminal de Goiânia, mandei arquivar nos anos 1960 Inquéritos Policiais Militares abertos que pediam sem fundamento a cassação de direitos políticos de 250 intelectuais, presidentes de associações de classe, professores, jornalistas, juízes, membros do Ministério Público, sindicalistas, estudantes e socialistas. Tive a convicção que era a hora certa de criar esta associação tão respeitada que colaborou recentemente, para eleição, muito importante, do nosso presidente da AMB (Associação dos Magistrados do Brasil), o dr. Jaime de Oliveira, aqui presente. Muito obrigado presidente Jaime, por confiar à Asmego cargos estratégicos na AMB, que hoje são ocupados por colegas nossos, associados a Asmego. Neste período não posso deixar de mencionar que em editorial de nosso jornal, “Novos Tempos, Novos Rumos para a AMB”, reflete.

Garantismo

Numa entrevista exclusiva ao Diário da Manhã, o ex-desembargador retomou temas que foram por ele abordados em entrevista histórica publicada neste mesmo DM no dia 31 de dezembro de 2016, onde alertava: “Lava Jato tem que chegar ao fim, senão vira ditadura do Judiciário“. Um ano e um mês depois ele reforça este mesmo entendimento.  “A ditadura do Judiciário é pior que a ditadura militar. Está nas mãos do Judiciário a maior parte da responsabilidade para voltar o país a ter mais esperanças no fim desta crise terrível. Se o Judiciário errar, aí não sei o que será do futuro do país. Este é o meu pensamento”, assevera. Para ele, o direito no Brasil não se resume apenas as decisões tomadas por determinados juízes de Curitiba, Rio de Janeiro e Brasília.

Com a experiência de quem peitou a ditadura militar num de seus piores momentos, Homero Sabino enfatiza que é preciso que seja retomado o comedimento e a irrestrita observância à Constituição na aplicação do Direito. Em seu discurso, ele advertiu: “Não há que se discutir se a lei determina sanções para aqueles que transgridem, poderosos ou não, agentes políticos ou não, influentes ou não, opinião pública ou não. A lei é igual pra todos, e da nossa parte, senhores, o texto constitucional e tudo que dele deságua, será rigorosamente observado”.

 

Redes sociais

No entendimento de Homero Sabino, “os juízes não podem dar a sentença como se fosse vingança, mas sim uma decisão serena”. Ele se diz preocupado com o ativismo de alguns operadores do Direito, que a seu ver “parece que não estão condenando por causa das provas, e sim pela raiva destilada nas redes sociais que são perigosas. Você não pode pregar e aceitar tudo aquilo que está ali. Porque ali (nas redes) está misturado nazistas e muita gente que propõe volta da ditadura, tudo isto é muito perigoso”, reflete.

Questionado pelo repórter, porque aos 88 anos ele continua fiel aos princípios do início de sua carreira, o ex-desembargador disse: “Continuo na luta contra aqueles que pregam nova ditadura militar. Isto é um absurdo! A gente (e principalmente, vocês jornalistas) têm que ter cuidado. Uma coisa é condenar o Lula, mas eu, por exemplo, tiro do meu celular tudo aquilo que de certa forma degrada um homem que pode ter errado. Vamos condená-lo por isso,  mas não vamos ser algozes. Juízes são julgadores e não algozes”, ensina.

Lava Jato

Crítico da operação Lava Jato, Homero Sabino acha que o combate a corrupção é importante, mas, assim como alertou na entrevista ao DM, um ano antes, volta a advertir para excessos que estão sendo cometidos. Ele discorda das condenações tendo por base as delações premiadas, alerta para ativismo de setores do Ministério Público, que a seu ver, acabaram com a persecução penal e com a prescrição.

“Eu continuo contra, como disse na minha entrevista (em 2016) os excessos da Lava Jato, contra a delação premiada. E sou contra. O Ministério Público hoje é o Quarto Poder. A ação penal hoje está com ele na delação premiada que o juiz não pode interferir. Isto é um absurdo!  Como foi dito na matéria que este jornal fez em dezembro, a delação premiada existiu na revolução. Eles obrigavam (a delação) sob tortura. Eles prendiam já para buscar provas para processar aqueles que eram contra a revolução, como os jornalistas que não se rendiam e tudo mais. Em 1964, como você escreveu naquela matéria feita em dezembro,  eu arquivei o processo contra 250 pessoas que foi feito apenas com base em delações”, ressalta.

O ex-presidente do TJ-GO salienta que nos termos das condenações feitas no âmbito da Lava Jato a persecução penal está acabada. “Estão aproveitando e encurtam ela, e vão direto aquele que foi condenado a 30 anos, e que vai fazer uma delação. Pode até ter um fundo de verdade e uma parte verdadeira, mas será que é desse jeito que uma Justiça funciona? Só com três juízes famosos no país. Será que só estes três resolvem o problema do Brasil?”, questiona. “A prescrição, no meu modo de entender, também tem que ser respeitada”, arremata.

 

Presunção de inocência

Para Homero Sabino, o juiz garantista, com todo cuidado e com toda seriedade,  deve garantir os direitos do processado, dando-lhe amplo campo para a sua defesa. “O juiz é preparado para isto, para não haver excesso, para não haver prova falsa, para não desmoralizar a pessoa antes de ser julgada ou condenada”, ensina. Sabino diz que é à favor da responsabilização direta do promotor e até do juiz se ele não estuda o processo e conscientemente age dolosamente na sua sentença.

Anistia

Refletindo sobre a crise política e institucional que hoje assola o país, o ex-desembargador relembra os pactos sociais que levaram ao fim da ditadura militar. Ele salienta que os Três Poderes devem se mirar na Anistia, que foi aprovada em 1979, que incluiu perseguidos e perseguidores, pacificando o país e abrindo caminho para a volta da democracia e do Estado de Direito. Sua avaliação é que deve ser feita uma nova concertação nacional, para que as instituições possam retomar o equilíbrio e a independência entre os Três Poderes.

Do alto de sua vivência de mais de seis décadas como operador do Direito e como advogado, Homero Sabino se diz preocupado com a interferência de setores do MP e do judiciário ligados a Lava Jato na nomeação de ministros.”Eu acho que o presidente Temer tem o direito de errar, e o juiz não pode corrigir ele. Ele foi eleito para fazer estas nomeações. Agora, tomou posse, aí sim  o Ministério Público, se necessário for, entra com ação para afastar este ministro”, conclui.

 

O juiz que peitou a ditadura e o dedurismo

Em 1965, nos primeiros meses do golpe militar, o juiz Homero Sabino proferiu em sua sentença que “não é crime ser comunista”, livrando da cadeia políticos e intelectuais goianos acusados por dedo-duros

 

Nos anos de chumbo, a ditadura militar baixou cinco decretos, os chamados Atos Institucionais. Eles foram feitos para calar a voz, perseguir e prender opositores do regime. O primeiro deles foi o AI-1, e Goiás um dos primeiros estados da federação onde foi aplicado.  O AI-1 previa prisão, cassação dos direitos políticos, exoneração de servidores públicos e outras barbaridades, mas para ser alvo deste ato, a vítima primeiro devia ser acusada através de um delito “anti-revolucionário”, então era montado um IPM (Inquérito Policial Militar). Os dedo-duros da época, tal qual os delatores da Lava Jato de hoje, apontavam o dedo na direção de um desafeto, e uma simples acusação de que fulano era comunista, socialista, subversivo ou “falou mal da revolução(?)” bastava para por o elemento na cadeia.  Assim como na Lava Jato, onde basta ser acusado de petista para ir para cadeia, durante a ditadura, bastava ser chamado de comunista para ver o sol nascer quadrado.

Em Goiás um juiz ousou falar não para a ditadura, rejeitar o dedurismo e escrever na sentença que “ser comunista não é crime”. Seu nome, Homero Sabino de Freitas.

Em 11 de dezembro de 1964 (nove meses após o golpe de 1º de abril), foi aberto um IPM contra Tarzan de Castro (ex-deputado federal e na época secretário do governador Mauro Borges), Erlan de Castro, Octovenil Costa, João Paula de Castro, Antônio José de Moura (jornalista e escritor), James Alen Luz (líder estudantil e depois guerrilheiro), Ataualpa Alves Lima, Sebastião Tavares de Morais, Hugo Brockes (publicitário), João  Batista Zacariotti, Pavel Guko, Simão Luty Kossobudszski, Gabriel Roriz, Rodolfo José da Costa, Cleuler de Barros Loyola e outros 147 indiciados, incursos nos artigos 2º, inciso III, 24 e 25 da Lei 1.902 de 5/01/1953 (Lei de Segurança Nacional). No ofício 83/65, enviado ao juiz Homero Sabino de Freitas, da 4ª Vara Criminal de Goiânia, o promotor militar da 4ª Região Militar informa que o IPM foi aberto logo após a eclosão do “movimento revolucionário” e encerrado em novembro do mesmo ano (1964), onde os indiciados são acusados pelo relator do inquérito, no General Riograndino Kruel de serem “comunistas, subversivos, perigosos pregadores da doutrina marxista, ou esquerdistas”.

Na sua sentença, Homero Sabino vai desmistificando o caso. Observa que as imputações aos indiciados “nasceram e cresceram através de testemunhos prestados na maioria dos casos, por adversários ou inimigos políticos dos mesmos indiciados”.

E aqui vale uma contextualização: nos dia de hoje, os procuradores e o juiz responsáveis pela Operação Lava Jato dão mais valor à palavra dos delatores – notórios ladrões do dinheiro público -,do que à presunção de inocência dos acusados. É necessária esta observação para lembrar que quando este IPM chega as mãos do juiz Homero Sabino, o país estava vivendo o auge do dedurismo, da delação, uma vez que muitos oportunistas queriam “de dar bem” com o novo regime, eliminando adversários políticos do caminho.

E na sequência da sentença, mais uma demonstração de equilíbrio do magistrado:

“No mais, vai-se encontrar, como provas indiciárias, notícias sobre a apreensão de livros, jornais, panfletos e revistas de caráter comunista em  poder de certos e determinados indiciados. Tais apreensões, porém, foram feitas nas residências,ora em escritórios profissionais, e que, por si só, muito embora se reconheça o Carter subversivo dos mesmos objetos apreendidos, não basta para caracterizar crime previsto na Lei de Segurança Nacional”.

Ora, no Brasil de hoje, basta a revista Veja, a Rede Globo, o Estadão ou a Folha veicularem matéria onde alguém acusa sem provas um político ou um empresário de estar envolvido em uma suposta maracutaia para o infeliz apodrecer nas masmorras de Curitiba. Vale lembrar o voto da ministra Rosa Weber, no  julgamento da Ação Penal 470 (Mensalão), onde diz textualmente: “Não tenho provas para condenar José Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. Esta peça de acusação foi escrita pelo juiz Sérgio Moro, que na ocasião auxiliava a ministra.

Ao invés de seguir o caminho fácil de condenar os “subversivos”, o juiz Homero Sabino preferiu aplicar a Lei, e neste sentido, detalhou em sua sentença que a Lei de Segurança Nacional de então não condenava por crime de opinião(com o AI-5, de 13/12/1968, foi instituída outra LSN, mais dura e implacável com os adversários da ditadura):

“A Lei de Segurança Nacional só define como crime as propagandas:

A – de processos violentos para subversão da ordem política e social;

B – de ódio de raça, de religião ou de classe;

C – de guerra.

E, conforme decidiu o Egrégio Supremo Tribunal Federal: “o fato de alguém ter em seu poder boletins e panfletos subversivos não constitui princípio de dexecução de propaganda e não caracteriza crime”.

O que vemos, no decorrer deste processo é um Juiz e uma Justiça garantistas dos direitos do cidadão. Homero Sabino aplica a Lei sempre no princípio das garantias individuais e da presunção da inocência, um conceito que a  espetacularização do Judiciário, promovida pela mídia a partir do julgamento do Mensalão, tem contribuído que juízes garantistas sejam perseguidos, pois estariam na contramão dos juízes justiceiros, que ao invés de aplicar o Direito procuram o aplauso e o reconhecimento através de generosos espaços nos grandes meios de comunicação.

Contrariando o histerismo da época, Homero Sabino questiona: “Ser comunista constitui crime contra a segurança nacional? Comete crime aquele que apoia ou critica alguma forma de governo? É crime apoiar as reformas constitucionais (as reformas de base do presidente João Goulart), o voto do analfabeto? É proibido ou constitue crime viajar para Rússia ou para Cuba?”. O próprio juiz responde: “Nenhum destes fatos citados nos relatórios do IPM constituem crime contra o Estado ou contra a ordem política e social”.

Renegando o dedurismo, Homero Sabino esclarece que para condenar os indiciados: “Não bastam os depoimentos. Não bastam confissões obtidas após a prisão”.

Penso que a leitura desta sentença histórica seria de muita utilidade para o procurador Deltan Dallagnol, o juiz Sérgio Moro e seus subordinados na 13ª Vara Federal de Curitiba, até por que, além da sentença de Sabino, o promotor publico que analisou o caso à época, também não via motivos para condenação, conforme registra o magistrado: “”os representantes do Ministério Público, as fls. 315 a 324 requereram o arquivamento do IPM anexo”.

Reforçando os argumentos de sua sentença, o juiz Homero Sabino mais uma vez salienta que “Para chegar a essas conclusões o IPM recorreu ao DOPS e aos depoimentos tomados, muitas vezes, de inimigos ou adversários políticos dos indiciados. Mas não é crime ser comunista, repetimos. Ninguém pode ser punido por delito de opinião (Min. Orozimbo Nonato). É bom que se diga aqui que a Lei de Segurança do Estado – Lei 1802 de 5 de janeiro de 1953, não pune por opinião, debate, critica e polêmica sobre quaisquer doutrinas ideológicas’.

Finalizando sua setença, onde define pelo arquivamento do processso, , Homero Sabino cita trechos do grande jurista Nelson Hungria, que deveriam ter lidos pelo juiz Sérgio Moro e por Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, que subverteram a teoria do “domínio do fato”, para acusar sem provas:

“Não há direito penal vagando fora da lei escrita. (…) Sub specie júris, não existe crime “sem lei anterior que o defina. A lei penal é assim, um sistema fechado: ainda que se apresente omissa ou lacunosa, não pode ser suprida pelo arbítrio judicial, ou pela analogia,ou pelos princípios gerais de direito, ou pelo costume. (…) o agente não deve contas à justiça repressiva, por isso mesmo que não ultrapassou a esfera da licitude jurídico-penal”.

Confira abaixo foto dos IPMS:

 

Categorias
Arquivo 2013 Economia

RETROSPECTIVA: “Juros baixos e menor protecionismo, é a receita para o desenvolvimento do Brasil”, ensina Charles Tang

Durante palestra na Asban (Associação Brasileira dos Bancos), em Goiânia, realizada em 04 de mai de 2013,  presidente da Câmara de Comércio Brasil China elogiou desonerações feitas pela presidenta Dilma naquela época e disse que País tem que atrair capital estrangeiro para crescer no ritmo chinês

Empresário e economista Charles Tang proferiu palestra no auditório da Asban  (Associação dos Bancos de Goiás/TO. Chinês de nascimento e brasileiro por opção, como costuma dizer, Charles Tang preside desde 1986 a Câmara de Comércio Brasil China. Ao lado do doutor em Economia Jefferson de Castro (PUC-GO), Tang discorreu
sobre o comércio bilateral entre os dois países e sobre o tema da palestra, “O papel  dos Brics na Economia Mundial”.

O evento, que teve apoio da Asban, foi organizado pela Confraria Século XXI, com respaldo da PUC-GO. A Confraria reúne, a cada dois meses, expoentes das mais variadas áreas para encontros que tenham como pauta temas de interesse de Goiás e do Brasil.

Charles Tang apresentou números superlativos do comércio sino-brasileiro: No ano de 2012, o Brasil exportou US$ 29 bilhões para China, importando  US$ 22 bilhões, num superávit de US$ 6 bilhões para o Brasil.

O defensor do livre comércio entende que o Brasil reúne melhores condições que a China e o Japão para ser um “tigre exportador” e salienta que além de matéria-prima, energia em abundância e mão de obra em idade ativa, o País faz a lição de casa ao reduzir juros e o chamado Custo-Brasil. “A presidenta Dilma Roussef, do PT, é a
primeira dirigente a enfrentar o problema dos juros altos e do Custo-Brasil com a política de desoneração das cadeias produtivas”aponta. Atítulo de exemplo, destaca que na China  a carga tributária representa 23% do PIB, e no Brasil, 34%.

Juros

Crítico do “Consenso de Washington” e do receituário monetarista, Charles Tang deixaria corado o economista tucano Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, que no seu blog Mão Invisível (http://maovisivel.blogspot.com.br/) propõe o aumento dos juros e recessão para “frear a economia e demitir mesmo, como saída
para o Brasil”.

Tang diz que arrocho, desemprego e juros altos só produzem pobreza. “O fim de qualquer teoria econômica é o bem-estar da sociedade e a estabilidade monetária é um meio para este fim. O Brasil, no entanto, não permitiu, com os juros altos, o crescimento da economia a título de manter esta dita estabilidade monetária. Nós fizemos uma política continuada de pobreza para manter esta tal estabilidade”,  ataca.

Em seu livro Aliança Brasil China – Uma estratégia para a prosperidade
(Ed.Aduaneiras, SP, 2013), que reúne artigos para Folha, China Daily, Estadão e outros, ele dá números ao desatino monetarista:
“No fim do governo Collor, o Brasil tinha R$ 30 bilhões de dívida interna líquida e cerca de US$ 110 bilhões de dívida externa. Atualmente a dívida interna líquida atinge um trilhão de reais e a nossa dívida externa dobrou. Em dez anos (1995-2005) um PIB inteirinho – a soma das riquezas do Brasil – foi investido nesta política de  manutenção da aparência de estabilidade monetária” (A política de juros exorbitantes – Capítulo 2).

Protecionismo

Charles Tang acredita que o Brasil deve eliminar todos os entraves ao investimento estrangeiro no País. Assegura que fórmula deu certo na China. “O governo chinês estimulou a entrada de capital  estrangeiro, a ponto que a empresa estrangeira pagava 25% de imposto de renda e a empresa chinesa, 33%. Com isto todo empresário chinês queria se associar a um empresário estrangeiro para pagar menos  impostos”,
ensina.

Na sua avaliação, o Brasil erra ao limitar a compra de terras por estrangeiros. “Milhões de dólares de investimentos que iriam para o Brasil estão sendo relocados para os vizinhos na América do Sul”, afiança, ressaltando que, além do fomento à produção agrícola, empresários chineses pretendem investir na indústria de alimentos
e em logística, agregando valor aos produtos e barateando o frete. “O Brasil precisa confiar mais na sua soberania e nas suas leis. Não se pode pensar que os estrangeiros vão carregar um pedaço de terra para fora”, ironiza.

Segundo Charles Tang, além de investimentos no agrobusiness, a China está preparada para investir em PPP`s (Parcerias Público Privadas) para construção de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. "China cresceu fazendo PPPS. Toda infraestrutura foi construída neste modelo, quando o país ainda não tinha capital. Hoje a China tem US$ 1,3 trilhão em reservas cambiais e continua estimulando as PPPS,
porque confia nas suas leis e gera confiança nos parceiros estrangeiros para investimento”, frisa.

Tang confia que destravando a legislação para investimentos em terras, nos leilões do pré-sal e reconsiderando o aumento do IPI para carros com menos de 65% de nacionalização, a economia brasileira poderá crescer a taxas de 4% a 5%.

“Por que escrevi o livro Aliança Brasil China – Uma estratégia para a prosperidade? Simplesmente porque nós, no Brasil, sabemos que não temos poupança interna suficiente para fazer todos os investimentos que necessitamos para alavancar o crescimento. Não temos como construir a infraestrutura (ferrovias, rodovias, aeroportos, portos), nem reformar  todo sistema educacional. O Brasil não deve se preocupar com protecionismo. A China, todos estes anos, deu vantagens fiscais para indústria estrangeira, pois sabia que o estrangeiro trazia capital que gerava empregos, riquezas e divisas para a China”, reitera.

Bretton-Woods

Desenvolvimentista, com um pé em Keynes (John Maynard Keynes inspirou o New Deal, política de distribuição de renda e incentivo estatal à economia levado à cabo pelo presidente norte-americano Franklin Delano Roosenvelt, que tirou os EUA da Grande Depressão de 1930) e outro em Max Webber (sociólogo alemão que teoriza
sobre a racionalidade do capitalismo), Charles Tang resume o milagre chinês numa opção: a prosperidade.

“Em 1978 quando Deng  Xiao-Ping disse ao povo chinês que
“enriquecer é glorioso”, fez a opção pela prosperidade. E ser cada vez mais próspero é a ambição da China”, garante.  “O presidente Lula também mudou o Brasil quando teve a ousadia de fazer uma
maciça distribuição de renda com o Bolsa Família (que foi muito criticada pela oposição) que tirou 40 milhões de brasileiros da miséria, criou uma nova classe média, colocou 25 milhões de crianças na escola, garantindo um futuro muito maior para o País”, enaltece.

Para Charles Tang  está caduco o acordo de Bretton-Woods que estabeleceu o dólar como moeda forte do sistema internacional e criou os principais organismos financeiros como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial. Os países credores como O Brasil, China, Índia e Rússia, principais parceiros dos Bric´s, devem lutar para ocupar o espaço que têm por direito nas organizações internacionais
financeiras e de comércio, que hoje são dominadas pelos países devedores (europeus e EUA)”.

REM x Dólar

No futuro próximo, vê o euro e a moeda chinesa,  o reminbim (REM), como substituto do dólar das trocas comerciais. A seu ver, o déficit público norte-americano financiado com a emissão de moeda sem lastro está com os dias contados.

Casado com uma brasileira, Charles Tang passa 40% do tempo no Brasil, outros 40% na China e o restante entre Estados Unidos e Europa. Mercantilista, ou mascate se preferir, ajudou a trazer para o Brasil empresas como a Jac Motors e a ZTE, gigante chinesa das telecomunicações. Ele vê inúmeras oportunidades de
investimentos para Goiás e Goiânia. E acredita que, além do agrobusiness, há interesse em indústrias para geração de energia solar e eólica, usinas de tratamento do lixo, para produção de energia e adubo, infraestrutura e intercâmbios comercial e cultural.

HISTÓRICO

Charles Tang e seus pais deixaram a China na Era Mao Tse Tung. “Somos uma família capitalista. Migramos para Hong Kong, depois para os EUA e finalmente para o Brasil”, ressalta. Formado em Economia e Sociologia em Cornell (EUA), foi contratado pelo Banco de Boston para implantar o leasing no Brasil. O sucesso foi tamanho que outras onze instituições o contrataram como consultor, entre elas o Banco Bozano Simonsen e o Banco Safra. Ao final, o próprio Tang deixou o Banco de Boston em 1974 e montou sua própria empresa de leasing, a Lease Capital S/A.

“Quando estava saindo do Banco de Boston, procurava um gerente de negócios, e este veio a ser um goiano, Henrique Meirelles, que iniciava ali uma brilhante carreira no Boston”, revela.

A vinda de Charles Tang para Goiânia foi viabilizada pelo presidente da Asban, a época, Mário Jorge Avelar, e reuniu vários empresários e admiradores, entre eles o saudoso Darci Accorsi, ex-prefeito de Goiânia, sua filha, a Delegada Adriana Accosi, o vereador Carlos Soares e seu irmão, o professor Delúbio Soares, Ieda Leal, presidenta do Sintego, o advogado Sebastião Ferreira Leite, o professor e economista Jeferson de Castro Vieira

 

http://dm.com.br/texto/111269-juros-baixos-e-menor-protecionismo

Categorias
Arquivo 2017 Astrologia Variedades

RETROSPECTIVA: Em 2017 astrólogos previam para 2020 crise humanitária, econômica, política e queda da Globo

A matéria abaixo foi publicada em abril de 2017 e foi o resumo de um encontro de Astrologia  que reuniu os principais astrólogos brasileiros. As previsões a época que revelavam que o mapa astrológico do Brasil para os próximos trinta anos mostrava crise econômica, desemprego e descrédito da população com os poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e a grande mídia. Leia novamente as previsões e veja o que se confirmou e o que ainda está por vir.
Categorias
Política

O Globo: Neto de Figueiredo era sócio de Trump

Matéria do jornal O Globo, assinada por André Miranda em dezembro de 2015 (antes da eleição de Trump e Bolsonaro), já evidenciava o que viria a ser o pensamento conservador, ultraliberal, que tomou conta dos EUA e do Brasil após as vitórias do empresário norte-americano e do ex-capitão

POR ANDRÉ MIRANDA, O Globo

RIO — Foi em 2012, num clube de golfe em West Palm Beach, na Flórida, que o carioca Paulo Figueiredo Filho conheceu seu mais ilustre sócio. Figueiredo almoçava com Ivanka Trump, a filha do magnata republicano Donald Trump, candidato às eleições presidenciais americanas, famoso por seu topete escorrido para o lado e pelas posições políticas radicais de direita. Trump chegou ao clube de helicóptero e foi apresentado pela filha a Figueiredo de um jeito bem direto: “O avô do Paulo foi presidente do Brasil, e ele também é bem conservador”.

Como o sobrenome sugere, Paulo Figueiredo Filho é neto de João Figueiredo (1918-1999), o último presidente do regime militar brasileiro. E, como avisou Ivanka, ele é um liberal conservador, com gosto para polêmica tanto quanto Trump. Aos 33 anos, ex-assessor especial do prefeito Eduardo Paes, entre 2009 e 2010, e empresário do mercado imobiliário, Figueiredo é jovial e brincalhão, mas não esconde suas posições políticas e nem economiza nas palavras para expô-las. Em uma hora e meia de entrevista, ele chamou Dilma Rousseff de “jumenta” e Aécio Neves de “bunda-mole”. Disse que os movimentos de minorias “precisam ser massacrados”, que universidades e jornais do mundo foram ocupados pela esquerda por ação da KGB e que a “era dos moderados chegou ao fim”.

— Nunca vi na História os moderados fazerem a diferença. Moderados não fedem nem cheiram. Marina Silva diz que Lula e Fernando Henrique são legais e ruins. Que café é bom com açúcar e com adoçante. Não é assim que se resolvem os problemas do mundo — disse o empresário, em seu escritório na Barra, decorado com um boneco em miniatura de Trump.

O empresário Paulo Figueiredo: ‘moderados não fedem nem cheiram’ – Fernando Lemos / Agência O Globo

CRÍTICAS AOS JORNAIS

Nos últimos anos, Figueiredo ganhou exposição pelos negócios com Trump. Depois do encontro na Flórida, eles se tornaram sócios no Trump Hotel Rio, que será inaugurado em 30 de março, numa área de três mil metros quadrados, na Praia da Barra. Além do mais luxuoso do Brasil, será um dos mais caros: para as Olimpíadas, todos os 170 quartos do Trump Hotel já estão reservados, e a suíte presidencial será ocupada por um empresário chinês que pagou US$ 1 milhão por 22 dias.

— Eu acho que o Brasil vai continuar em depressão profunda no ano que vem, mas o segredo de uma crise é você explorar as oportunidades. No setor hoteleiro, a alta do dólar é benéfica. Cerca de 60% dos meus hóspedes serão estrangeiros, dispostos a pagar uma diária de US$ 400, US$ 500, no mínimo — diz Figueiredo. — O turismo no Brasil é mal explorado. Joaquim Levy deveria parar de querer aumentar impostos e sugerir um plano para fomentar o Brasil como indústria hoteleira. Era só liberar o visto para os americanos. Se tivesse um pedido para a presidente Dilma, eu falaria assim: “Sua jumenta, libera o visto para os americanos”.

Com o anúncio formal da candidatura de Trump à presidência americana, em junho, a fama de Figueiredo aumentou e, em agosto, ele foi perfilado pelo “New York Times”. O jornal tentou opor o sócio brasileiro aos comentários de Trump contra a intensa imigração latina nos EUA. Mas ele não só o defendeu, como compartilha de muitas de suas ideias. Seus posts no Facebook — onde condena o aborto, defende a liberação da posse de armas e chama as feministas de “feminazis” — são controversos, mas chegam a ganhar mais de mil curtidas. Recentemente, ele escreveu que muita gente gosta de seu discurso, mas não curtem para não entrar em polêmica. E sentenciou: “Só penso uma coisa: seu bundão!”

— Aquele jornalista do “New York Times” não passa mais da porta do meu escritório. Ele construiu uma reportagem distorcida. O “New York Times” é um jornal muito ruim, de extrema esquerda — reclamou Figueiredo, que mesmo assim emoldurou a página do jornal americano, ao lado de um quadro da capa da revista “Rolling Stone” com a foto de Trump. — Eu guardo as matérias ruins também. Aceito que o jornalista fale o que quiser, desde que seja correto. Mas todos os jornais têm uma tendência de esquerda muito forte. No Brasil mesmo, não há um jornal de direita. O GLOBO é de esquerda.

Figueiredo estudou comunicação, economia e filosofia. Ele tem uma filha de seis meses nascida nos EUA, é casado há sete e se declara protestante. Nas últimas eleições, votou em Aécio Neves, sem convicção. Na próxima, espera votar em Paes.

— Não achava o Aécio um bom candidato. Ele é horroroso, frouxo, bunda-mole, entregou o Brasil na mão do PT. Agora está desaparecido — diz.

Sobre os atentados em Paris, Figueiredo escreveu na internet: “Pobres civis franceses, desarmados pelos governos de esquerda. Apavorados com terroristas armados nas ruas, o máximo que podem atirar-lhes é uma baguete ou um pedaço de queijo brie”.

DEFESA DO AVÔ GENERAL

Por seus petardos, já foi ameaçado até de morte pelo que chama de “militantes de ambiente virtual”.

— Esses movimentos feministas, gayzistas, de consciência negra, sei lá qual é o nome politicamente correto… São fracos, dão impressão de que são fortes porque são organizados. Esses caras precisam ser massacrados, prestam um desserviço ao Brasil.

Para as críticas a seu avô, último presidente militar do país, tem na ponta da língua a defesa ferrenha.

— Não tem mais homem igual a meu avô. Ele assumiu o governo com o discurso de fazer do Brasil uma democracia plena — afirma, criticando a ideia da volta da ditadura. — A ditadura é um modelo que não me agrada. Mas no Brasil era uma situação de guerra.

Categorias
Economia

Há 25 anos, com Biondi, DM denunciava a privataria da Era FHC

Reconhecido como um dos maiores nomes do jornalismo econômico, Aloysio Biondi escreveu nas páginas do Diário da Manhã, nos anos de 1994 e 1995, uma das principais críticas ao Plano Real e à política de privatizações da Era FHC

Marcus Vinícius de Faria Felipe

No início dos anos 1990, o Diário da Manhã foi talvez o único jornal a remar contra a maré neoliberal. Em 1994, a convite do jornalista Batista Custódio, retornava ao DM (após uma passagem em 1980) o jornalista Aloysio Biondi. Com dois prêmios Esso em Economia, Biondi foi um dos principais críticos da política de câmbio fixo do Plano Real. Denunciou, como poucos, a farra das privatizações dos governos do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e os danos à economia da paridade artificial entre o Real e o Dólar.

A leitura dos artigos e livros de Aloysio Biondi é fundamental para os jornalistas que pretendem escrever sobre Economia. Sua obra continua atual nestes dias de política econômica protofascita e ultraliberal defendidas pelo ministro da Economia Paulo Guedes e pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Não era fácil criticar o neoliberalismo – conjunto de políticas elaboradas através do Fundo Monetário Internacional -, que propunha a redução do Estado na América Latina. Naqueles dias, o México, a Argentina, o Chile adotaram o receituário do Estado Mínimo, proposto pela “Escola de Chicago”, do economista Milton Friedman. Era a vez da América Latina pôr em prática as experiências privatizantes que Margareth Tatcher havia realizado na Inglaterra.

O Brasil, do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), acabara de aderir às teses do Consenso de Washington, que propugnava aos governos do Terceiro Mundo a venda das empresas e bancos estatais, arrocho salarial e juros altos para conter o consumo e forçar a criação de uma poupança interna. Todos os principais meios de comunicação aderiram ao que Biondi e jornalistas como Luis Nassif batizaram como “pensamento único”.

Hoje Biondi não está entre nós, e Nassif, um dos poucos jornalistas econômicos que ainda rema contra a maré neoliberal, sofre forte ataque de Law Fare, que ameaça sua iniciativa editorial, o Jornal GGN, uma das poucas vozes contra o neoliberalismo e a necropolítica. A perseguição a Nassif está sendo denunciada por vários veículos.

Luis Nassif sofre perseguição por ser uma das únicas vozes contra o neoliberalismo

Não havia saída fora do neoliberalismo: era este o mantra estampado em manchetes todos os dias pelo Globo, Folha, Estadão e Veja aqueles anos 1990, mas o Diário da Manhã resolveu remar contra a maré. Na sua Olivetti Lexigon 80, Aloysio Biondi disparava análises mortais sobre os danos que as políticas postas em curso pela equipe econômica de FHC causavam ao país: desemprego, concentração de renda, perca de capacidade de investimento do Estado, empobrecimento da população.

Acompanhamos a trajetória de Biondi no DM com entusiasmo. Havia adentrado no DM em 1992, e a chegada de Biodi foi revigorante para todos os jovens jornalistas daquela epoca. No ano 2000, registramos o seu trabalho de crítica ao receituário neoliberal numa monografia de colação de grau no curso de Economia da PUC-GO, homenageando o velho mestre e todos jornalistas que lutaram contra o pensamento único, como nosso colega goiano,  Lauro Veiga Jardim, parceiro de Biondi em várias redações de economia e que continua sua militância jornalística nas páginas do Jornal O Hoje.

Lauro Veiga Jardim assina a coluna “Econômica”, do Jornal O Hoje

 

Remando contra a maré 

Sob a direção de Aloysio Biondi, o Diário da Manhã, assume no período de 1994 a 1995 uma postura crítica em relação à abertura econômica sem contra-partida, à política de importações sem limites e alerta para os efeitos da sobrevalorização do real sobretudo para os preços agrícolas e a balança de pagamentos. Este tipo de abordagem crítica, também seria verificada nos artigos dos economistas Delfim Netto, Maria Conceição Tavares e Luis Gonzaga Belluzo. Mas Biondi era a voz mais contundente contra os desmandos da equipe econômica tucana.

No dia 2 de julho de 1994, portando, um dia após a implantação do Real, Aloysio Biondi produz o primeiro, de uma série de artigos críticos que irá imputar ao plano. “Os verdadeiros ‘vilões’ do real”, é o título que abre a página 9 do DM. O comentário se baseia na entrevista não autorizada do ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, conhecida a época como o “escândalo da parabólica”. Numa conversa informal com o jornalista Carlos Montenegro, os estúdios da Rede Globo, em Brasília, Ricupero fez inconfidências sobre o real, entre elas, de que “a gente mostra o que é bom e esconde o que é ruim”. A conversa indiscreta foi captada por telespectadores de Brasília, por meio de antena parabólica e teve grande repercussão na mídia na época..

Na sua abordagem, Biondi critica os cortes no Orçamento Geral da União implementados pela equipe econômica, parte do programa de ajuste protagonizado pelo real. Na entrevista, Ricupero admite que o governo estava atrasando a votação do orçamento de 1994 para cortar gastos através de um ardil constitucional: “quando o orçamento não está aprovado, o governo pode gastar somente um doze avos, isto é, o orçamento dividido em doze fatias iguais, por mês”. Sem correção monetária, sentencia Biondi, a execução deste orçamento implica num corte indireto nos gastos com saúde, educação e custeio da máquina, produzindo, ganhos para o governo com a inflação.

 

Desindustrialização

A especulação no mercado financeiro e a abertura da economia brasileira às importações também estão na mira do ex-editor-geral do Diário da Manhã: “As empresas, ao importar, não precisam mais apresentar documento, ao governo, provando que os preços que estão pagando são justos. isto é: a filial de uma multinacional pode importar peças da matriz por um preço de 100 dólares, embora seu valor verdadeiro seja 50 dólares. A matriz “lucra” 50 dólares por peça, e o Brasil perde esse dinheiro. Bilhões de dólares, no final das contas remetidos disfarçadamente para a matriz. E mais: a matriz, com o superfaturamento, aumenta seu lucro lá fora — e paga mais Imposto de Renda ao governo de seu país. A filial, aqui no Brasil apresenta um prejuízo (ao declarar um custo artificial para as peças) – e não paga IR ao governo brasileiro”(Biondi, Aloysio Quando o real vale mais que o dólar, jornal Diário da Manhã, 4/9/1994,  pág. 9,).

“As importações estão dando “saltos” porque o governo brasileiro foi, exatamente como no México, abrindo o mercado brasileiro, reduzindo controles sobre o funcionamento da indústria. Mais claramente: durante muitas décadas, a indústria automobilística — por exemplo — era obrigada a comprar a maioria das peças aqui dentro, de fornecedores brasileiros. Entenda bem, não era proibido importar essas peças, mas os impostos para comprá-las, la fora, era tão alto que as filiais das multinacionais eram forçadas a recorrer a indústria local… Em síntese, o que levou o México para o buraco foi todo um modelo de “abertura” da economia, imposto pelos países ricos e Fundo Monetário Internacional. O que ameaça levar o Brasil para o mesmo buraco é esse mesmo modelo” (Se os brasileiros não forem à guerra, jornal Diário da Manhã, pág. 9, 1994).

Com quatro anos de antecedência, portanto, o analista advertia para os riscos do modelo único de desenvolvimento imposto pelo consenso de Washington à América Latina e países emergentes: abertura indiscriminada às importações e ao capital externo, desregulamentação da economia e paridade entre moeda nacional e dólar.

 

Ensinamentos

Biondi na redação do Diário da Manhã em 1995

Biondi deixou o Diário da Manhã no final de 1995. Fincou o pé numa coluna semanal, às quintas-feiras na Folha de S. Paulo e depois passou a ser articulista do jornal Diário Popular (SP) e das revistas Caros Amigos (SP) e Bundas (RJ). Em 1998 produziu em 1998 o livro “O Brasil Privatizado – Um balanço do Estado – Editora Perseu Abramo, SP. Falecido em 21 de julho de 2000, na cidade de São Paulo, teve publicado pela Perseu Abramo,  pós-mortem “O Brasil privatizado II – O assalto das privatizações continua”.

Numa de suas últimas entrevistas, à revista Caros Amigo, número 19, de outubro de 1998, Biondi prenunciava: “Somos a bola da vez desde maio. Já quebramos. Com esses juros malucos, você vai gastar quase 90 bilhões de juros por ano! Que corte você vai fazer? Acho até bendita a crise, porque você vai mexer com as importações, logicamente vai criar emprego de novo e até ressuscitar empresas. Não precisa daquele nível de investimento para criar emprego porque as máquinas estão aí, paradas”.

Com faro apurado para notícia e experiência de 44 anos de jornalismo econômico, Biondi deixou uma última lição para os jovens jornalistas da área:

“A Gazeta Mercantil, às segundas-feiras, reproduz aqueles dados da revista The Economist, sobre a situação das economias mundiais. Se o jornalista econômico tivesse o hábito de olhar a tabela, veria alí, por exemplo, que os tigres asiáticos já se recuperaram, a Coréia está com superávite na balança comercial de 25 bilhões de dólares em doze meses. O jornalismo econômico é como o jornalismo policial é fragmentado. Dá o momento de recorde e o momento de grande crise. Depois não se fala mais nada e todo mundo fica pensando que só tem crise. Que é o fim do mundo”.

 

 

Brasil Privatizado: a farra com dinheiro do povo

Aloysio Biondi sabia ler nas entrelinhas de cada medida tomada pela dupla econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso: Pedro Malan (Ministro da Fazenda) e  Gustavo Franco (presidente do Banco Central). Por isto revelou ao país que o desmonte de empresas públicas era feito, pasmem, com dinheiro do contribuinte! “”O governo diz que o Tesouro está quebrado, usa essa desculpa para doar as estatais e depois arruma dinheiro para os compradores”,denuncia.

Biondi revela que antes de vender as empresas telefônicas, o governo de Fernando Henrique Cardoso investiu E$ 21 bilhões no setor, em dois anos e meio. Depois vendeu tudo por uma “entrada” de R$ 8,8 bilhões (ou menos), porque financiou metade da entrada para grupos brasileiros.

Na venda do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj), o “comprador” pagou apenas R$ 330 milhões e o governo do Rio, comandado pelo governador Marcelo Alencar (PSDB) tomou, antes, um empréstimo dez vezes maior, de R$ 3,3 bilhões, para pagar direitos dos trabalhadores.A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi comprada por R$ 1,05 bilhão, dos quais, R$ 1,01 bilhão em “moedas podres”.

“A privatização brasileira é assim: o governo financia a compra, aceita moedas podres, a longo prazo, financia investimentos(até a Light recebeu empréstimo de R$ 730 milhões em 1998). E para aumentar os lucros dos compradores o governo engole dívida bilionárias, demite funcionários, aumenta tarifas e preços antes da privatização”, resume.

O Brasil Privatizado, volumes I e II pode ser acessado no site da Fundação Perseu Abramo: http://www.fpabramo.org.br/uploads/Brasil_Privatizado.pdf

Acesse também o PDF:

Livro Brasil_Privatizado

 

 

Biografia

Aloysio Biondi e o também saudoso jornalista Isanulfo Cordeiro na redacao do DM nos anos 1980

Aloysio Biondi (Caconde1936 — São Paulo21 de julho de 2000) foi um jornalista econômico brasileiro.

Atuou durante 44 anos de exercício profissional, nas principais redações da imprensa brasileira.

Nos anos anteriores ao seu falecimento (2000), aos 64 anos, destacou-se pelo trabalho na imprensa alternativa, com a qual colaborou durante toda a vida (com destaque para o período em que foi colaborador do jornal Opinião, na década de 1970).

Também é autor do livro O Brasil privatizado – Um balanço do desmonte do Estado, onde critica as privatizações feitas no governo Fernando Henrique Cardoso, alcançando a marca de mais de 125 mil exemplares vendidos.

Nascido em Caconde e criado em São José do Rio Pardo, no interior de São Paulo, Biondi começou sua carreira em 1956, na Folha da Manhã, que posteriormente daria origem à Folha de S. Paulo.

Trabalhou também na Gazeta MercantilJornal do Commercio (RJ), Diário do Comércio e Indústria (DCI-SP), Correio da Manhã (RJ), Diário da Manhã (GO) e revistas Veja e Visão. No Diário da Manhã, em Goiânia, trabalhou junto a Washington Novaes em um dos mais interessantes e inovadores projetos do jornalismo brasileiro, ainda desconhecido. Foi vencedor de dois Prêmio Esso. Em 1967, pela revista Visão, e em 1970, pela Veja.

Conforme escreveu o também jornalista Jânio de Freitas, em artigo por ocasião da morte do colega “Biondi não frequentava ministérios, bancos, gabinetes estatais, rodas de grandes empresários. E, no entanto, jamais um jornalista soube de modo tão completo quanto ele, e duvido que algum dia outro venha a saber, o sentido real, os pormenores e as consequências das decisões econômicas e monetárias”.

 

Leia também:

Biondi, a morte de um mestre, por Luis Nassif

 

‘Privataria Tucana’: livro de Amaury mostra que Serra montou esquema comparável ao de Maluf, diz Nassif

 

Categorias
Artigo

As sete filhas de dona Chiquinha

Mulheres fortes, altivas, de caráter. Artigo em homenagem ao Dia da Mulher conta a história de uma família cujas mulheres enfrentaram o machismo de seus maridos e o preconceito da sociedade nos anos 1940, 1950 e 1960 e da necessidade dos homens saírem do pensamento do século XIX para pôr os pés no século XXI.

Categorias
Sem categoria

Olá, mundo!

Boas-vindas ao WordPress. Esse é o seu primeiro post. Edite-o ou exclua-o, e então comece a escrever!