PMDB: entre o PSDB e o DEM

Em Goiás os votos peemedebistas estão sendo disputados pelo Palácio das Esmeraldas e pelo senador Caiado, no país, partido está fechado com o PT de Lula em seis estados

 

O PMDB é a noiva mais cobiçada das próximas eleições. Apesar da absoluta rejeição da maioria absoluta da população ao governo do presidente Michel Temer (PMDB-SP), as principais siglas do país disputam com avidez o apoio de lideranças peemedebistas aos seus projetos nos estados e no país.

 

No PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, vai firmando a sua candidatura mà presidência. Seus principais adversários no partido viram suas pretensões evaporarem. O prefeito de São Paulo, João Dória, está murchando pesquisa, após pesquisa, depois do desastrado périplo por outros estados, onde foi criticado por fazer campanha extemporânea ao invés de cuidar dos buracos e da coleta do lixo da capital paulista. Pego com as malas de dinheiro na mão do primo, o  senador mineiro Aécio Neves é um zumbi político, enquanto o senador José Serra já declarou que quer ser o candidato do PSDB à sucessão de Alckmin. Para se viabilizar como candidato contra o ex-presidente Lula, o governador de São Paulo corteja o PMDB. Embora colar a imagem com Temer seja mau negócio, o apoio do Planalto em prol de articulações na máquina peemedebista interessa ao tucano.

 

Geraldo Alckmin ainda não se posicionou abertamente em relação à disputa interna no PSDB pela presidência da legenda, mas a tendência é que apoie a candidatura do seu colega, o governador Marconi Perillo. E é aí que ele, Alckmin ganha um trunfo: Tanto a um, quanto ao outro, interessa a aproximação do PSDB com o PMDB. Apesar de ter disputado a presidência da República com Lula em 2010, Alckmin ainda é relativamente desconhecido no resto do país, e precisa do palanque do PMDB nos Estados, principalmente no Norte/Nordeste/Centro. Para Marconi, o cálculo é outro. Uma aliança nacional entre PSDB e PMDB, com desdobramentos nos Estados, é tudo que precisa para derrotar, já no primeiro turno, o seu principal adversário em Goiás: o senador Ronaldo Caiado (DEM).

 

Sobrevivência

Para o presidente Michel Temer uma aliança com o PSDB é questão de sobrevivência política. Sem os tucanos, Temer vira refém do centrão, que é formado principalmente por parlamentares do baixo clero, cujo apetite por cargos e emendas é inesgotável. Com o PSDB ao seu lado, Temer equaliza sua base de sustentação, podendo se equilibrar mais tranquilamente ao lado de outras legendas como o PP, PTB e PR. Além disso, a aliança PMDB-PSDB “quebra as pernas” de outras candidaturas que podem vir a desarticular o seu governo, como o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD) e do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), ambos nomes que têm a simpatia do sistema financeiro e das Organizações Globo.

 

PSDB-PMDB

Em Goiás muitas tem sido os afagos entre tucanos e peemedebistas. O governador Marconi Perillo tem recebido com frequência prefeitos do PMDB em palácio, ou mesmo participando de eventos em prefeituras administradas pelo partido. Esta relação respeitosa tem rendido declarações, de ambas as partes, que no mínimo demonstram que as arestas estão aparadas. A mais recente foi do prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, que durante inauguração da Avenida da Paz, elogiou o governador, que estava presente, ao lado do vice, José Eliton. De acordo com registro do jornalista Altair Tavares (Diário de Goiás), Gustavo disse que se estivesse no PSDB, votaria em Marconi para presidência da legenda. “Se votasse, poderia tger certeza que o senhor teria o meu apoio”, enfatizou Mendanha. Noutra ocasião, o próprio Gustavo Mendanha declarou o seu voto e o seu apoio á candidatura do senador Wilder Morais (PP).

 

Maguito Vilela também tem feito demonstrações de apreço por uma aproximação entre estas duas legenda.  Ex-governador, ex-senador e ex-prefeito de Aparecida Maguito disse recentemente em entrevista à Rádio 730 (reproduzida aqui no DM) que não via impedimentos numa aliança entre PMDB e PSDB em Goiás. Segundo ele, ambos partidos não são inimigos. Ele salientou  que na política é o diálogo e as ideias que promovem entendimentos entre adversários, podendo colocar todos do mesmo lado, em nome de um projeto maior para o Estado e o país. “O PMDB não vai dispensar apoio do PT, do PSDB, do DEM, não existe isto, temos que ciscar para dentro. É lógico que o PT desgaste, mas o PMDB, o PSDB, o DEM, o PP e o PTB têm desgaste também. Não existem partidos de freiras no Brasil, todos eles têm desgastes”, disse.

 

Tucanos de alta plumagem consultados pela reportagem não veem dificuldades no diálogo entre o governador e os principais líderes peemedebistas. “Uma aliança como esta tendo no mesmo palanque Marconi e Maguito liquida a eleição no primeiro turno e deixa à ver navios o senador Ronaldo Caiado”, sugeriu um interlocutor palaciano.

 

DEM-PMDB

Da mesma maneira em que há interesses comuns em jogo entre PMDB e PSDB, há cada vez mais trabalho por parte do senador Ronaldo Caiado no sentido de aproximar o PMDB do DEM. Antes do acidente que limitou temporariamente os seus movimentos (Caiado teve uma queda de uma mula, enquanto lidava com gado em sua fazenda), o senador rodou o Estado fazendo encontros com as principais legendas da oposição, onde teve a participação de prefeitos de próa do PMDB, como Adib Elias (Catalão), Ernesto Roller (Formosa) e Paulo do Valle (Rio Verde).

 

O resultado deste trabalho é que lideranças iristas, como o ex-presidente do PMDB e ex-prefeito Nailton Oliveira, já declararam neste DM apoio à Caiado:  “O PMDB já perdeu cinco eleições, não pode perder pela sexta vez. Daniel Vilela é jovem, está fazendo um trabalho de renovação do partido, mas hoje as pesquisas mostram liderança absoluta do senador Ronaldo Caiado, Se esta tendência persistir até julho, o PMDB deve considerar o apoio a Caiado”, frisa..

 

 Lula

A força de Lula no Nordeste, onde é líder absoluto em todas as pesquisas, com mais de 50% dos votos da região, têm levado governadores e lideranças peemedebistas a reeditar a parceria com o ex-presidente. No Ceará, por exemplo, discute-se aliança entre o governador Camilo Santana (PT), o presidente do Senado, Eunício Oliveira e o ex-governador Cid Gomes (PDT), que ficaria com a outra vaga ao Senado. Em Alagoas, o senador Renan Calheiros, e o governador Renan Filho, já estão no palanque de Lula, assim como o governador do Sergipe,  Jackson Barreto.

 

Candidato do PT ao governo de São Paulo, o ex-prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, defendeu em entrevista ao Estadão, que o PT tem de rever, para as eleições de 2018, a proibição de alianças com os partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff para “recuperar a maioria do povo brasileiro”.  Candidato ao governo do Paraná, o senador Roberto Requião costura apoio do PT, e já defende a reeleição de sua colega de bancada, Gleisi Hoffman ao Senado. Em Minas Gerais e no Piaui, petistas e peemedebistas discutem alianças visando as respectivas reeleições dos governador Fernando Pimentel (que tem 50% de aprovação) e José Wellington (que tem 61% de aprovação).

 

Em Goiás, PT e PMDB estão distanciados. O PT costura uma aliança com partidos de centro-esquerda (PDT, PC do B, PSB, PSOL) visando, principalmente, a eleição de representantes na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. A aproximação do PMDB ao senador Ronaldo Caiado tem sido um principal empecilho para reaproximação entre as duas legendas, mas a costura por um palanque amplo para Lula ainda estimula o diálogo entre as legendas.

 

Cabeça-de-chapa

Se é verdade que uma aliança ente  PMDB e PSDB liquida a eleição no primeiro turno, porque seria menos verdade diz que juntos, PMDB e DEM fecham a fatura também no primeiro turno?  A resposta para esta pergunta, é saber se os “parceiros” (PSDB e DEM) estão dispostos a ceder a cabeça-de-chapa (leia-se candidatura a governador) para o PMDB. Seja com Daniel Vilela, Maguito Vilela ou Iris Rezende pilotando a eleição ao lado do PSDB ou do DEM, é bem provável que um deles fosse eleito já na primeira etapa da eleição. É certo que a soma das militâncias  peemedebista e tucana, somada as máquinas do governo do Estado e da prefeitura, têm muito mais impacto do que a estrutura do DEM, que neste momento se resume única e exclusivamente à liderança do senador Ronaldo Caiado. Por assim dizer,  um acordo  entre tucanos e peemedebistas supera com folga um entendimento entre PMDB e DEM.

 

Deve ser levando em conta que o  jogo nacional influencia o estadual. Ainda não está como será o cenário em 2018. Uma coisa no entanto, é certa: todas as forças envolvidas neste processo político estão empenhadas no sucesso de suas campanhas. Se Lula faz declarações enfatizando a necessidade de superar os problemas entre o PMDB e o PT, o mesmo ocorre em Goiás em relação às principais lideranças do PSDB e PMDB. Todos envolvidos na próxima eleição exalam pragmatismo. Resta saber, quem dará a melhor oferta.

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