Demóstenes faz mea-culpa do moralismo

Ex-senador informa que já recebeu ofertas de filiação ao PSDB, PTB e PP, diz que vai tentar retomar o mandato no Senado e afirma que se arrepende de ter sido tão moralista

 
O ex-senador Demóstenes Torres se prepara para retornar às lides políticas. Nesta semana ele concedeu entrevistas a vários órgãos de imprensa, fez mea-culpa dos exageros do passado e procurou passar uma borracha nos desafetos, mostrando desapego com o passado.
Demóstenes foi um dos queridinhos da mídia, ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, no período de julgamento do Mensalão do PT. Durante o seu último mandato ao Senado para o qual foi reeleito em 2010, o goiano de Anicuns galvanizou para si as atenções pela pregação moralista contra os governos do presidente Lula. Assim como todos os moralistas que o antecederam – de Carlos Lacerda a Aécio Neves -, Demóstenes foi vítima de seu próprio discurso. E foi o que ele admitiu em entrevista aos jornalistas Rubens Salomão, Eduardo Horácio e Cleber Ferreira, durante entrevista à Rádio 730 AM:
“Eu errei demais em ser moralista. Eu seria mais realista se voltasse para a política. Participei diretamente da criação de 181 leis. Sinceramente acho que fui um bom senador. Mas, se houve punição é porque houve causa. Não a ponto de perder o mandato por causa de uma amizade. Até porque, com os outros amigos não aconteceu nada”.
É notório que o sofrimento é a forja que modela o ser humano. Demóstenes emerge mais humilde da experiência que passou com a perda do mandato e o processo que lhe consumiu anos de batalhas jurídicas. Sua reaparição no cenário político se dá num novo patamar, onde demonstra serenidade nas análises do atual momento político e maturidade ao falar de si, de amigos e adversários.
O ex-senador mostra dignidade ao responder ao jornalista Cleber Ferreira, sobre sua amizade com o empresário Carlos Cachoeira: “Continuo amigo dele, não com a mesma intensidade, mas agora que ele está em dificuldades, se eu abandoná-lo, estarei fazendo o mesmo que fizeram comigo”.
Em junho de 2013 Demóstenes foi denunciado pelos crimes de corrupção passiva e advocacia privilegiada. As acusações foram imputadas pelas investigações das Operações Vegas e Monte Carlo, realizadas entre 2008 e 2012. Na época, o MP-GO afirmou que o político recebeu vantagens, como viagens, bebidas caras, eletrodomésticos de luxo eletrodomésticos de luxo e recebimento de R$ 1,52 milhão.
Em setembro de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a validade de provas obtidas em gravações telefônicas envolvendo o ex-senador. Diante da medida, em junho deste ano, o TJ-GO, por meio da Corte especial, definiu pelo arquivamento. “com base na nulidade das provas coletadas durante as operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, uma vez que as interceptações telefônicas envolvendo o então político não foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foro adequado para julgar casos envolvendo senadores da República”.
O garantismo que o Supremo ofereceu a Demóstenes contrasta com o Direito medieval aplicado em Curitiba pelo juiz Sérgio Moro, onde segundo o procurador Deltan Dallagnol “provas ilícitas obtidas de boa fé” ou escutas telefônicas ilícitas, como a conversa entre a presidenta Dilma Roussef e o ex-presidente Lula, que Moro vazou para a imprensa, devem ser utilizadas para destruir reputações e impingir condenação antecipada.
Levando em conta as manifestações do STF e do TJ-GO, Demóstenes avisa que vai tentar reaver o mandato no Senado. Se esta hipótese não se confirmar ele afirma que pode retomar a carreira política por outras vias, uma delas pode ser o mandato de deputado federal. Caso venha a fazer esta opção, ele sinaliza que uma virtual candidatura seria pela base do governador Marconi Perillo (PSDB). O ex-senador ressalta que sempre fez parte deste agrupamento politico, e que mantém uma relação de respeito com o governador e confidenciou que recebeu propostas de filiação de vários partidos da base: “O vice-governador José Eliton me convidou para ir para o PSDB, o deputado federal Jovair Arantes (PTB) me convidou para ir para o PTB e o senador Wilder Morais (PP) me chamou para o PP”.
Questionado sobre o senador Ronaldo Caiado, seu ex-parceiro político no DEM, Demóstenes mostra outra vez que não está preso ao passado. Ele avalia que Caiado tem força política e pode ter êxito no seu projeto de governar Goiás. Ele faz a ressalva de que o PMDB também conta com nomes de peso, como o ex-governador Maguito Vilela e o deputado federal Daniel Vilela. Pela tradição do partido, em sempre lançar nomes próprios, Demóstenes acha que é pouco provável que a legenda abra mão da cabeça de chapa para um político de outra legenda.
Demóstenes aos poucos faz seu retorno ao cenário político. O mais provável é que seja candidato a deputado federal. Há uma tendência clara de renovação num Parlamento,  onde 55% de seus membros são alvo de algo tipo de processo, seja por denúncias de corrupção ou até de crime comum. Políticos experientes avaliam que 70% dos atuais deputados federais não serão reeleitos. Demóstenes pode se beneficiar deste sentimento de mudança ou não. Por enquanto, o que ele faz é tatear o terreno.
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