Daniel X Caiado: quem tem o apoio do PMDB?

Pré-candidatos disputam nos  bastidores o controle do maior partido de oposição de Goiás

É tempo de plantar para colher. As sementes lançadas agora podem germinar no dia 30 de junho a candidatura que irá representar o maior partido de oposição na sucessão estadual. O deputado federal Daniel Vilela (PMDB) e o senador Ronaldo Caiado (DEM) estão semeando. Vilela tem o controle oficial do PMDB. Cumpriu esta tarefa em fevereiro de 2016, quando venceu o ex-prefeito de Bom Jardim, Nailton Oliveira, na disputa pelo comando do partido.  Daniel teve 73% dos votos, Nailton 26%. Foi uma vitória maiúscula, mas em se tratando de embates partidários sempre ficam sequelas.
Caiado também plantou suas sementes na aliança que fez com o PMDB em 2014, que lhe garantiu a eleição ao Senado. Ele e todos no PMDB sabem que só foi eleito com os votos iristas. E desde então Caiado tem cultivado uma relação cada vez mais próxima com o prefeito de Goiânia, Iris Rezende e com os seus pares. E é por isto que, embora oficialmente o pré-candidato do PMDB ao governo do Estado seja o deputado Daniel Vilela, é o nome de Caiado que avança nos bastidores desta disputa que só será decidida durante o período de convenções partidárias em 2018.
Quem são afinal os “danielistas” e os “caiadistas” do PMDB? Daniel Vilela controla o diretório e por isto controla a convenção do partido. Certo? Em termos. O jovem deputado tem o apoio da maioria dos 42 prefeitos eleitos pelo PMDB, dos quais se destacam os prefeitos de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha e o de Quirinópolis, Gilmar Alves. Soma-se a estes a maioria dos presidentes de diretórios e comissões provisórias do PMDB e ainda o respaldo da maioria da bancada peemedebista na Assembleia Legislativa, onde Daniel tem o apoio declarado dos deputados Paulo Cesar Martins, Wagner Siqueira e Bruno Peixoto e, na Câmara Federal, conta com o respaldo do deputado Pedro Chaves.
O líder da bancada do PMDB na Alego, José Nelto, não morre de amores por Ronaldo Caiado, mas não se manifestou em relação a um e outro.  Nelto vê limitações na candidatura de Caiado e tem cobrado posicionamento de Daniel em relação às denúncias contra o deputado na Operação Lava Jato, mas nesta última semana Daniel Vilela se sentiu mais leve: O Supremo Tribunal Federal (STF) tirou ele e o seu pai,  o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), da lista dos investigados no âmbito da Lava Jato. A decisão, assinada pelo próprio relator da Lava Jato no Supremo, ministro Edson Fachin, atendeu a um pedido da defesa do parlamentar. Com o deferimento do pedido, o inquérito será redistribuído pela presidência do STF nos próximos dias para algum dos ministros da corte. A decisão reconhece que não há qualquer ligação do deputado com os fatos investigados no âmbito da Lava Jato.
Guinada ao centro
Ronaldo Caiado que até o impeachment da presidenta Dilma Roussef (PT-MG) tinha se colocado ainda mais à direita do que é tradicionalmente o seu perfil político, tem feito uma revisão deste posicionamento. Taticamente abriu sua bateria contra o presidente Michel Temer (PMDB-SP), cobrando sua renúncia e a realização de eleições para presidente. Esta guinada coloca Caiado em contato com 92% da população que segundo todas as pesquisas de todos os institutos querem Temer fora da presidência e a realização de eleições diretas para presidente. Daniel, ao contrário, permanece fiel a um governo que a cada dia que passa se consolida como o mais corrupto e o mais impopular da história do Brasil.
Mas Caiado é um lacerdista atuante, e assim como o ex-governador do Estado da Guanabara, é um conspirador nato. O senador sabe dosar sua atuação nos bastidores e ao mesmo tempo lançar mão discursos carbonários contra os seus adversários. Debaixo do quieto, Caiado soma apoios importantes às suas pretensões de  ser o novo inquilino da Casa Verde. Ele tem o respaldo de iristas  e dirigentes importantes da legenda como Nailton Oliveira e o ex-deputado Samuel Belchior. Na Assembleia Legislativa o deputado Lívio Luciano, que é primo de Dona Iris, deve acompanhar o posicionamento do casal 15 de Goiânia.
Entre os prefeitos, Caiado tem a simpatia de Paulo do Valle, de Rio Verde, que antes de ser eleito pelo PMDB teve longa passagem pelo PFL/DEM; em Formosa o seu primo Ernesto Roller e em Catalão o prefeito Adib Elias também sinalizam positivamente ao seu trabalho de aproximação com a militância do PMDB.
Cristianização
Convenções partidárias podem ser decididas antes de serem convocadas, pois  quem tem o controle da máquina geralmente não perde. Do ponto de vista formal, a vantagem na máquina partidária é de Daniel Vilela, mas os convencionais não votam somente por alinhamento partidário, visam também o objetivo final de toda legenda que é a vitória nas urnas.
Em 2002, na convenção do PFL, o deputado federal Jalles Fontoura era o nome do governador Marconi Perillo (PSDB) para figurar ao seu lado na chapa majoritária como candidato ao Senado. Ronaldo Caiado articulou e impôs a candidatura do então secretário de Segurança Pública, Demóstenes Torres, que derrotou Jalles na convenção e seria eleito naquele pleito o senador mais votado, até então, da história de Goiás.
Qualquer pesquisa que for realizada hoje colocaria Ronaldo Caiado em vantagem sobre os demais adversários. Isto também vale muito, principalmente se for confirmada esta tendência nos dias próximos à definição do partido. Caiado quer ser candidato pelo seu partido, o DEM e busca o apoio do PMDB, que nunca apoiou candidatos de outras legendas. Hoje o mais provável seria Daniel Vilela confirmar sua maioria no PMDB e garantir o direito de ser o candidato ao governo pela legenda. Mas a história mostra que nem sempre o candidato que vence a convenção garante o apoio da maioria da legenda. Em 1950 o PSD (partido que deu origem ao MDB e ao PMDB) lançou o ex-prefeito de Belo Horizonte Cristiano Machado como candidato à presidência da República. Passadas as convenções a maioria do PSD apoiou a candidatura do ex-presidente Getúlio Vargas, que tinha amplo apoio popular, confirmando nas urnas a vitória naquele pleito. Surgiu dai o termo “cristianizar”, que passou a ser sinônimo de infidelidade partidária. Para não correr o risco de ser cristianizado,  Daniel tem que apertar o passo, repactuar alianças, curar feridas e consolidar o seu nome no PMDB.
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