“Precisamos de um candidato que aglutine o PMDB e a oposição”

Líder do PMDB diz que partido deve fazer auto-crítica sobre os erros do passado, conversar com todas as forças políticas e construir um projeto capaz de unir as forças oposicionistas

 

Líder do PMDB na Assembleia Legislativa o deputado estadual José Nelto é um político experiente. Três vezes vereador em Goiânia e no quarto mandato de deputado estadual ele diz que o PMDB deve fazer autocrítica sobre os motivos dos insucessos em cinco eleições para o governo do Estado. “É preciso abrir o partido, buscar alianças, buscar aliados e ter realmente as sandálias da humildade”, vaticina. Para José Nelto o PMDB deve conversar com todos os partidos, do PT do ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide ao DEM do senador Ronaldo Caiado, e deve ir além. Para o deputado, além dos partidos, o PMDB deve dialogar com a sociedade. Ele observa que as pesquisas demonstram que a população deseja uma profunda renovação na política e que 2018 deve abrir espaço para que novos atores sociais ocupem espaço em candidaturas. Sua expectativa é de uma renovação de 70% a 80% nas eleições para deputados estaduais e federais, e por isto entende que o PMDB deve estar atento para trazer novos nomes para renovar o partido neste pleito. Nelto fala sobre a disputa velada pela indicação do PMDB como candidato ao governo do Estado entre o deputado federal Daniel Vilela e o senador Ronaldo Caiado. Ele entende que o PMDB não deve ter pressa para definir o seu candidato. Ele avalia que Daniel tem a vantagem de ter lançado a pré-candidatura e de ser filiado ao PMDB, mas avalia que o deputado deve ter paciência e sabedoria para aglutinar o partido e trazer para junto de seu nome o apoio de outras legendas e segmentos sociais. “. Daniel é um jovem promissor, agora, ele precisa  procurar aliados no PMDB, agigantar-se no PMDB, e buscar também outros partidos. Ninguém ganha eleição sozinho. Há um ditado popular que diz “andorinha sozinha não faz verão”. Então é preciso que aja maturidade política, a paciência de Jó, a sabedoria de Salomão e na hora certa a força do Rei Davi, apresentando uma proposta de um projeto alternativo para Goiás”, frisa. Confira a entrevista para o DM:

 

Como fica o PMDB em 2018: o deputado federal Daniel Vilela é pré-candidato, mas várias lideranças do partido têm simpatia pelo senador Ronaldo Caiado (DEM). Com quem o PMDB fica?

José Nelto – O PMDB  não pode ter pressa de escolher o seu candidato, e dizer que este é o candidato, nós temos um pré-candidato, que é natural, o deputado federal Daniel Vilela, que tem a nossa confiança e tem a confiança do PMDB. É um jovem promissor, agora, ele precisa  procurar aliados no PMDB, agigantar-se no PMDB, e buscar também outros partidos. Ninguém ganha eleição sozinho. Há um ditado popular que diz “andorinha sozinha não faz verão”. Há outro que fala que “um boi sozinho não puxa um carro”. Então é preciso que aja maturidade política, a paciência de Jó, a sabedoria de Salomão e na hora certa a força do Rei Davi, apresentando uma proposta de um projeto alternativo para Goiás.

 

Além do DEM o PMDB  que são os outros aliados?

José Nelto – Temos que buscar aliados seja no Partido dos Trabalhadores, seja o senador Ronaldo Caiado, que também tem que ser respeitado neste processo, por que o partido que quer ganhar o governo tem que ter a inteligência e a maturidade que teve Iris Rezende Machado em 1982, quando rachou a base do governo daquela época e trouxe aliados à sua campanha.

 

Além de Daniel Vilela o PMDB tem outros nomes?

José Nelto – Podem surgir outros nomes também, pode ser o ex-governador Maguito Vilela e pode ser também outro nome que nem no processo está. O que nós precisamos é ter um candidato que tenha capacidade de aglutinar o PMDB e a oposição.

 

Nestas últimas eleições municipais candidatos de fora da política foram eleitos como em São Paulo, com o prefeito João Dória. Isto pode ocorrer em Goiás?

José Nelto – Em Goiás eu posso afirmar que não há espaço para os out-siders, os chamados candidatos fora do sistema. Eu vejo a tentativa de inventar alguns nomes, mas não acredito que em Goiás tenha espaço para aqueles fora da política, ao contrário, avalio que a disputa eleitoral do próximo ano será feita por aqueles que já estão inseridos no meio político. Nós temos em Goiás dois lados, de um a força do governo, com o poder da máquina administrativa e do outro a força do PMDB, que é o maior partido de oposição em Goiás e é também um partido muito forte. A missão do PMDB neste momento é aglutinar setores desgarrados do governo, setores da sociedade que estão insatisfeitos e os demais partidos de oposição para fazer um movimento forte de mudança que possa derrotar este governo que está desgastado e desacreditado.

 

O PMDB terá esta capacidade de unir a oposição? Não foi esta a experiência das últimas eleições?

José Nelto – Eu não tenho dúvida de que o PMDB está preparado para o diálogo com todas as forças políticas de Goiás. Como disse, nossa missão é debater com todos e trabalhar para construir um plano de governo sério, factível, real. A sociedade não aceita fantasia, enganação e cansou do governo do Marconi. Este é um governo marcado pela corrupção, marcado pela Lava Jato, peca pela ostentação e peca pelas  mordomias. Nossa proposta é de um governo que seja voltado para os interesses do povo, um governo honesto, um governo do bem, que ponha fim a esta época de ostentação, de ganhar eleições comprando lideranças, usando dinheiro público e a máquina para fazer eleição.

 

O PMDB encolheu nas últimas eleições na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. O partido está preocupado com a formação das chapas de deputados estaduais e federais para a próxima eleição?

José Nelto – O PMDB não está preocupado, uma vez que o prazo para as filiações partidárias foi ampliado de 4 de  outubro deste ano para 4 de  abril do ano que vem. Com isto há um espaço grande para que a oposição possa usar o que Emmanuel Macron fez na França quando criou um partido em nove meses, escolheu o grupo de pessoas do bem, que não eram ligados a política e nem  ao caciquismo dos dirigentes dos partidos socialista e dos republicanos, ou conservadores e apresentou candidatos a deputado para uma nova política. Isto pode acontecer nas eleições em Goiás e no Brasil nas eleições para as assembleias e para o Congresso Nacional. A renovação nos parlamentos vai ser muito grande, acredito que vai ser de 70% a 80% em Brasília e de até 70% na Assembleia Legislativa de Goiás. O povo quer trocar, o povo não quer novos deputados estaduais e federais, e daí a chance de vir novos nomes para disputar mandatos parlamentares. Na disputa para o governo, acredito que irá prevalecer os nomes já colocados, mas poderá surgir na oposição um nome que venha a aglutinar e se isto ocorrer este será o candidato.

 

Qual é a força dos prefeitos do PMDB para definir o futuro candidato a governador pelo partido?

José Nelto – A força de um partido é o seu conjunto, como a força de uma mão, que para se movimentar precisa dos cinco dedos. Cada dedo tem um valor inestimável para que aquele membro funcione. Assim, nos partidos, cada membro tem um valor inestimável: os  filiados, os vereadores, os prefeitos, os deputados estaduais, os deputados federais, o presidente do partido, enfim, todos são necessários. Ninguém sozinho consegue vai fazer o partido se tornar mais forte. É o conjunto das lideranças que fortalece o partido.

 

 

Nas últimas escolhas de candidato ao governo o PMDB pretendeu uma renovação, uma vez com banqueiro Henrique Meirelles, outra com empresário Júnior Friboi, porém estes nem chegaram a ser candidatos. Agora o PMDB aposta no deputado Daniel Vilela como um fato novo na política, mas ele também apresenta resistências. Por que é tão difícil para o PMDB fazer a renovação com um nome que efetivamente una o partido?

José Nelto – O PMDB cometeu um erro histórico de ter apenas dois líderes: Iris Rezende e Maguito Vilela. São respeitados, têm o meu apoio, mas o partido tinha que ser mais aberto, mais democrático, abrindo para a vinda de novas lideranças. Mas, friso: lideranças do bem. Quem vinha para fazer o jogo estava a mando de esquema milionário do PMDB nacional, quem não tinha compromisso com as bases em Goiás veio e acabou sendo capotado nestas corrida eleitoral. Agora o partido apanhou muito, o partido tem que fazer a auto-crítica. Quem não tem a humildade de fazer a auto crítica não pode governar um Estado, não pode ser candidato e não pode ficar apenas num debate cego. É preciso abrir o partido, buscar alianças, buscar aliados e ter realmente as sandálias da humildade. O PMDB perdeu as eleições para uma máquina corrupta, que tem usado o dinheiro público, massacrado a oposição, não abrindo espaço para que o eleitorado pudesse conhecer as mazelas do governo. Agora isto não resolve mais. Não adianta o governo intimidar os veículos de comunicação, porque existe agora um instrumento poderoso que são as redes sociais. O governo será pautado nesta eleições pelas redes sociais, porque o povo está atento. Tem uma pesquisa que diz que 53% ou 56% do eleitorado vai votar de acordo como se posiciona nas redes sociais.

 

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