STF ainda pode anular o impeachment

Deputados, juízes, procuradores lembram que Supremo não julgou mandado de segurança sobre o impeachent e acreditam que últimas delações são suficientes que o plenário do tribunal anule o golpe

 
O impeachment da presidenta Dilma Roussef (PT-MG) pode ser revisto pelo Supremo Tribunal Federal? A luz das delações das últimas semanas, talvez fosse essa a providência a ser tomada pelo STF. As delações dos irmãos “Friboi” (Joesley Batista e Wesley Batista), as inconfidências do próprio presidente Michel Temer (PMDB-SP), do senador Romero Jucá e as maquinações do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) revelaram que o impeachment foi uma conspiração que surgiu antes da eleição da petista e se acentuou com a Operação Lava Jato.
A “colaboração premiada” dos irmãos Joesley e Wesley Batista à PGR (Procuradoria Geral da República) revelou que nas eleições de 2015 a JBS deu R$ 30 milhões para o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que “saiu comprando deputados Brasil afora”, bancando assim sua eleição à presidência da Câmara Federal. Eduardo Cunha, que está preso em Curitiba, foi um dos principais pivôs do impeachment da presidenta Dilma Roussef (PT).
Nas gravações, o senador Aécio Neves aparece pedindo dinheiro para turbinar atos contra a presidenta eleita, criando instabilidades para o governo de sua adversária.
Não bastassem estas revelações, em entrevista à TV Band, no dia 15 de abril, o próprio Temer disse que Dilma caiu por uma vingança de Cunha:  “Que coisa curiosa! Se o PT tivesse votado nele naquele Comitê de Ética, seria muito provável que a senhora presidente continuasse”, disse, com tranquilidade o presidente. Para o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) a admissão pública de Michel Temer sobre a real causa da destituição de Dilma Rousseff —a recusa do PT em se submeter à chantagem do PMDB para salvar Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara—  já é um argumento fortíssimo para o STF (Supremo Tribunal Federal) anular o golpe contra a Dilma. Os diálogos entre Temer e Joesley somente reforçam esta convicção.
“Aécio será o primeiro”
A todas estas situações se soma o diálogo de março de 2016, entre o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente da Transpreto, Sérgio Machado, onde revela que o impeachment de Dilma era a única alternativa para “parar esta sangria”  e “parar esta porra”(a Lava Jato) . Mais de um ano depois, as inconfidências de Jucá e Machado se revelariam proféticas. Machado disse  que “Aécio é o primeiro a ser comido”, e Jucá que “Temer é Cunha e Cunha é Temer” .
Jucá sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma “mudança” no governo federal resultaria em um pacto para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos: “Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, diz Jucá; ele fala em construir um pacto nacional “com o Supremo, com tudo”; Machado concorda: “aí parava tudo”. E, mais uma vez, profetizavam que a operação era uma ameaça tanto para PMDB como para o PSDB.
Após ouvir o diálogo o escritor português Miguel Sousa Tavares disse que o impeachment foi uma “assembleia de bandidos, presidida por um bandido, para afastar uma mulher honesta”. A frase continua atualíssima após as delações dos irmãos “Friboi”.
STF não julgou mandado de Dilma
Após a votação no Senado, que cassou o seu mandato por 61 votos a 20, a presidenta Dilma Roussef entrou com mandado de Segurança no STF pedindo um novo julgamento no impeachment. Este mandado ainda não foi julgado.
 
Por que os ministros ainda não votaram este mandato?  Esta é uma situação que não foi explicitada. O processo estava a cargo do finado ministro Teori Zavascki, após sua morte, o processo ficou parado. Na prática seria como se o STF, a quem cabe dar a última palavra sobre o julgamento não tivesse dado nenhuma opinião. Uma das teses sobre o não julgamento é que nenhum dos onze ministros quer por a assinatura favorável ao impeachment por se tratar de um processo eivado de ilegalidades, como já era sabido à época, e agora ainda mais.
 
Inconstitucionalidade
 Eduardo Cardoso, ex-ministro da Justiça e advogado de Dilma,  pede na ação  que o STF anule dois artigos da Lei 1.079, de 1950, usados pela acusação para imputar crimes de responsabilidade à ex-presidente. A ideia é que a Corte declare como contrários à Constituição de 1988 o item 4 do artigo 10 da lei e o artigo 11. Se esses dispositivos fossem eliminados na legislação, faltaria base para enquadrar os atos imputados a Dilma como crimes, o que poderia a absolver.
O primeiro artigo define como crime de responsabilidade “infringir, patentemente, e de qualquer modo, dispositivo da lei orçamentária” e foi usado para enquadrar os decretos que abriram créditos suplementares supostamente incompatíveis com a meta fiscal, o que só seria possível com aval do Congresso.
O outro é o artigo 11, que define crimes de responsabilidade “contra a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos”, como por exemplo, “contrair empréstimo, emitir moeda corrente ou apólices, ou efetuar operação de crédito sem autorização legal”.
 
A ação argumenta que Dilma tem o “direito líquido e certo de ser processada dentro dos “limites impostos pela Constituição e pela legislação pertinentes. Ao Senado Federal, no julgamento do processo de impeachment, cumpre aplicar as normas incriminadoras definidas em lei, mas apenas quando tais normas sejam compatíveis com a Constituição Federal”, diz a peça.
 
Risco de novo golpe
Para Eugênio Aragão, jurista e procurador da República, que foi o último ministro da Justiça do governo Dilma, “a derrubada do impeachment de Dilma Rousseff é o único caminho para a saída dos golpistas do poder, o resgate do projeto aprovado e reeleito por 54 milhões de votos, o restabelecimento da democracia, a consolidação do estado democrático de direito e a garantia de que o povo vai poder escolher o futuro que quer para o país”.
Na sua avaliação uma nova eleição, em meio ao avanço do golpe sobre os direitos, seria manipulada pelos golpistas para a sua permanência no poder, principalmente em se tratando de uma eleição indireta num Congresso que foi comprado para votar o golpe, conforme revelaram os irmãos “Friboi”.
 
O diálogo entre Temer e Joesley:
[Joesley]: E aí, doutor, Tudo bem? Tudo bem? Faz tempo que a gente não se vê.
[Presidente Temer]: Hein?
[Joesley]: Faz tempo que eu não te vejo.
[Presidente Temer]: É que você está fora do Brasil. Soube que você estava morando […]. Está nos Estados Unidos?
[Joesley]: É… tudo bem? Tô ficando muito, muito, a maior parte é lá. Como é que está a correria?
[Presidente Temer]: Sabe que eu era tão feliz e agora sabe como é, né, cheio de compromissos, né? E aqui, primeiro, que você sabe que eu estou fazendo dez meses e parece que foi ontem, né? Parece que foi ontem e parece que foi uma […], são duas coisas. Segundo, que tenho uma oposição complicada […] no começo, né? Eles começaram: “golpe, golpe, golpe”, daí não passou. Aí “economia não vai dar certo, não vai dar certo”, e daí começou a dar certo e daí os caras estão num desespero, entendeu? Primeiro, que eu tenho o apoio do Congresso, se eu não tenho o apoio do Congresso, eu tô ferrado…
[Joesley]: Muito grande, né?
[Presidente Temer]: Tenho apoio da imprensa, enfim, mas vai dar certo, nós vamos atravessar isso daí, você vai ver. Vamos chegar no final deste ano já muito melhor. E em 2018 vamos comemorar.
[Joesley]: Com certeza. Sabe que nós vamos chegar, é isso mesmo, vamos chegar no fim desse ano olhando pra frente, […] Olhando…
[Presidente Temer]: Já começou, modestamente e tal, mas já começou. E uma coisa que eu não esperava que começasse agora.
[Joesley]: Muito rápido. Foi muito rápido, porque você está falando dez meses, mas, na realidade…
[Presidente Temer]: Há seis começou, né?
[Joesley]: Então, porque teve aquele periodozinho ali muito duro, né, que não podia fazer nada, que não…
[Presidente Temer]: Seis meses como titular e olha o que nós já fizemos. O teto dos gastos, a reforma […] aprovamos a […], eu acho que estava lá há dez meses e não se votava, aprovamos a admissibilidade da Comissão Nacional da Justiça, fizemos um grande acordo trabalhista, que acordaram sobre padrão das centrais sindicais. Muito rápido.
[Joesley]: Muito rápido. Muita coisa e muito rápido.
[Presidente Temer]: É.
[Joesley]: O… a economia está bem, vai ter que baixar o juro rápido, porque a expectativa foi muito rápida, né? A reversão da expectativa.
[Presidente Temer]: […] desce mais um, vai descendo responsavelmente.
[Joesley]: E você sempre tem que deixar o mercado com a sensação de que foi pouco. Tem que ficar na sensação de que…
[Presidente Temer]: Tem razão.
[Joesley]: Não pode tomar a dianteira. Que você vê, o Banco Central baixou 25, depois 25, aí quando ele deu aquele 75, o mercado deu uma animada, só que aí já esperava 1, aí deu 75, é muito, 75 é muito, aí deu 1! O mercado: Pô, agora vai dar 1? O mercado vai achar pouco, pô, mas só 1, tinha que ser 1,5. Não, tá bom, presidente, é tarde, deixa eu te falar. Primeiro, eu vim aqui roubar dois, três minutinhos de você […]. Primeiro, que eu não tinha te visto, né, desde quando você assumiu.
[Presidente Temer]: […] Quando eu assumi, não?
[Joesley]: Não, não, antes de assumir.
[Presidente Temer]: Antes de assumir. Dez meses.
[Joesley]: Eu estive contigo no teu escritório, dez dias antes ali…
[Presidente Temer]: É. Isso.
[Joesley]: …quando estava ali naquela briga ainda, naquela guerra pela…
[Presidente Temer]: Tem razão.
[Joesley]: … pela rede social…
[Presidente Temer]: Tem razão.
[Joesley]: … e tal e coisa de golpe e tal. Mas, tudo bem, e aí, enfim, de lá pra cá eu vinha falando com o Geddel, enfim, e aí também não…
[Presidente Temer]: Deu aquele problema… Aquele idiota… foi confiar nos outros dá nisso.
[Joesley]: Bobagem.
[Presidente Temer]: Uma bobagem que eles fez, agora, sem consequência alguma…
[Joesley]: Não precisava daquilo.
[Presidente Temer]: E o cara aproveitou pra fazer um carnaval.
[Joesley]: Mas eu vinha falando com o Geddel, andei falando algumas vezes com o Padilha também, mas agora que o Padilha adoeceu, ficou adoentado, enfim, aí eu fiquei meio… falei “deixa eu ir lá pra dar uma… “. Queria primeiro dizer o seguinte: “tamo” junto aí, o que o senhor precisar de mim, viu, me fala.
[Presidente Temer]: Está bom, mas tem que esperar passar essa…
[Joesley]: E vim te ouvir um pouco, como é que o senhor está nessa situação toda aí do Eduardo?
[Presidente Temer]: O Eduardo tentou me fustigar.
[Joesley]: Eu não sei, como é que está a situação?
[Presidente Temer]: A defesa, o Moro indeferiu 21 perguntas dele que não tem nada a ver com a defesa dele. Era pra amedrontar: “Eu não fiz nada, eu não sei o quê”, e no Supremo Tribunal Federal, olha só, que fatalidade. E ele está aí, rapaz, mas […]…
[Joesley]: É, eu queria falar assim, muito aqui na… dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo o que tinha de alguma pendência daqui pra ali zerou, tal, doutor. Já liquidou tudo e ele foi firme em cima, ele já estava lá e veio, cobrou, tal, tal e tal. Pronto, acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que tá aqui, né, que o Geddel sempre tava…
[Presidente Temer]: Lúcio… […]
[Joesley]: Isso, que o Geddel é que andava sempre ali, mas o Geddel também com esse negócio eu perdi o contato, porque ele virou investigado e eu também não posso encontrar ele.
[Presidente Temer]: É complicado. […]
[Joesley]: Isso. O negócio dos vazamentos. O telefone lá do Eduardo com o com Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós e não sei o quê, e eu tô lá me defendendo. Como é que eu… o que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora? Eu tô de bem com o Eduardo.
[Presidente Temer]: Tem que manter isso, viu? […]
[Joesley]: Todo mês, também, e tô segurando as pontas, tô indo. Nesses processos eu tô meio enrolado aqui, né, no processo assim…
[Presidente Temer]: Você está sendo investigado.
[Josley]: Isso, é, investigado, eu não tenho ainda denúncia. Aqui eu dei conta de um lado do juiz, dá uma segurada, do outro lado o juiz substituto, que é um cara que fica…
[Presidente Temer]: Está segurando os dois?
[Joesley]: Tô
[Presidente Temer]: Ótimo, ótimo.
[Joesley]: Segurando os dois. E eu consegui um procurador, dentro da força tarefa, que está também me dando informação, e eu lá que eu tô pra dar conta de trocar o procurador que está atrás de mim. Se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal, e o lado ruim é que se vem um cara com raiva ou com não sei o quê…
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: O que tá me ajudando, tá bom, beleza. Agora o principal é o que está me investigando. Eu consegui colar um no grupo. Agora eu estou tentando trocar…
[Presidente Temer]: O que está […]?
[Joesley]: Isso… tô nessa aí. Então tá meio assim, ele saiu de férias, até essa semana eu fiquei preocupado que saiu um burburinho de que iam trocar ele e não sei o quê. Eu tô com medo, eu tô só contando essa história para dizer assim: Eu tô me defendendo aí, tô me segurando e tal, os dois lá tô mantendo, tudo bem. Mas antes… o Geddel estava aqui com aquele negócio da anistia e quase não deu.
[Presidente Temer]: Quase… […] empresariais que vão dizer que você […] são nossos. Se todos se reunirem e fizerem isso […], mas se todos fizerem isso.
[Joesley]: Sabe que eu estive até com o presidente Lula, na época, lá no dia, que o PT, parte do PT… “ah, o Paulo Pedro não sei o quê…” – “pô, presidente, mas…” “ô, eu quero uma aguinha, um…”. “Água que você quer?” Todo mundo…
[Presidente Temer]: […]
[Josley]: Então, isso foi um negócio que… o negócio da autoridade também era outra, né? A autoridade.
[Presidente Temer]: Dos depoimentos?
[Joesley]: Porque, ô, Presidente, eu não sei o quanto o senhor está ao par assim de um pouco de verdade das coisas, mas é uma brutalidade, um negócio assim… O negócio é o seguinte: há duas semanas atrás, três semanas atrás, um garoto, que eu nunca ouvi falar, que ninguém conhecia, que trabalhava lá com o Lúcio, que era do financeiro lá, não conheço, nunca vi, ninguém nosso nunca viu, nunca nada, e o menino disse assim: “Ah, porque eu ouvi falar do Lúcio que não sei o quê, eu ouvi falar de..”. Pô, me rendeu um Fantástico, um Jornal Nacional, e um não sei o quê, e uma confusão… Ainda bem que eu tenho boa relação com a imprensa e consegui rapidamente… Aquietou. Foi um dia, dois, pronto, parou. Mas é um… Tudo bem. Sobre esse ponto aí também estamos tocando.
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Consegui. Tô fazendo um… 50 mil por mês do rapaz e tal, pra ele me dar informação, pelo menos me dar informação. “Ah, teve reunião, falou isso, falou daquilo”. O bravo é…enfim, mas vamos lá. Eu queria falar sobre isso e falar como é que é que… pra mim falar contigo, qual é a melhor maneira, porque eu falava com o Geddel… Eu não vou lhe incomodar, evidente…
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Eu sei disso. Por isso é que…
[Presidente Temer]: […] é o Rodrigo.
[Joesley]: É o Rodrigo? Ah, então ótimo.
[Presidente Temer]: […] da minha mais restrita confiança.
[Joesley]: Eu prefiro combinar assim, se for alguma coisa que eu precisar, tal e tal, eu falo com o Rodrigo. E se for algum assunto desse tipo aí…
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Funciona super bem à noite, onze horas da noite, meia?noite, dez e meia, venho aqui, converso uns dez minutinhos, meia horinha, vou embora… Tá. Falar de outra coisa aqui. O Henrique, como é que você está com o Henrique?
[Presidente Temer]: Tá muito bem. Tranquilo.
[Joesley]: Tá tudo bem?
[Presidente Temer]: Quer dizer, ele concorda, não que vai acontecer isso aqui, mas ele faz o que eu […] muito bem.
[Joesley]: Ele é trabalhador. Ele é trabalhador.
[Presidente Temer]: É trabalhador. […] o que essa gente fez com o Brasil é inacreditável. É inacreditável. Mas o Henrique vai muito bem comigo. Eu chamo ele pra trabalhar…
[Joesley]: E ele gosta.
[Presidente Temer]: Ele gosta.
[Joesley]: Ele gosta de trabalhar. Você não chama ele pra ir pra praia. Se você for pra praia e chamar ele, ih…
[Presidente Temer]: Não tem graça.
[Joesley]: Agora, se falar: “não, vamos trabalhar”. Eu tenho o Henrique como muito disciplinado, lógico, tenho uma relação ótima com ele. E eu tive assim, o não sei, eu já andei falando com ele alguns assuntos, conhecendo ele, ele é […] pra caramba, né, presidente? Um dia eu falei com ele. […] e tal e ele: “aquilo lá, não, faz as coisas e tira fora”. “Mas não é você que manda nessa merda?” “Não, aquilo lá”…
[Presidente Temer]: […].
[Joesley]: Então, aí que eu quero… Um dia eu falei assim: “Henrique, precisa mexer na Receita Federal, porra. Tanto tempo aí.”. – “tenho um monte de coisa pra fazer”. “Ixe, não. Não posso mexer.”. Aí… BNDES. Não, BNDES é planejamento. Mas foi você que botou a Maria Silvia lá! Não, não, é do Jucá… É outro…
[Presidente Temer]: […] ligou, acertou e tal. […]
[Joesley]: Queria ter alguma sintonia contigo, pra quando eu falar com ele, ele não jogar “Ah não, o Presidente não deixa, não quer.”. Pô, Henrique, mas você é muito banana, você não manda porra nenhuma.”. [Risos] Aí eu falei com… […] aí era o… o Presidente do CADE ia mudar, mudou ou botou alguém aí.
[Presidente Temer]: Já mudou.
[Joesley]: Já mudou? Isso. Aí falei: Ei, pô, presidente do CADE. Ah, isso aí… Quero dizer o seguinte, resumindo, eu também não sei se é hora de mexer em alguma coisa, porque dentro do contexto geral, também não quero importunar ele, também… se eu for mais… que eu trabalhei com ele quatro anos, se for mais firme nele “pô, Henrique, tem que…” eu acho que ele… acho que ele corresponde.
[Presidente Temer]: Ele, você sabe, […] maiores […], a vinda dele pra mim, foi por você.
[Joesley]: Isso. Até voltando um pouco, ao Carlos Eduardo, na época… “Ó, briguei lá, tal… Ó, agora tem que ver se…”, enfim, tudo bem, aí ele, uns quinze dias antes dele…, o Eduardo, aí ele veio e deu uma cobradazinha em mim. “Ó, agora tenho que trabalhar, né, e não sei o que e tal”. “Eduardo, não é assim também, espera aí, não é assim não.”. “Ah, mas puta que pariu.”.
[Presidente Temer]: Aí deu no que deu.
[Joesley]: Aí deu no que deu. Aí eu falei: “Eduardo… – Uns quinze dias antes – Eduardo, não é assim, não, espera aí.”. “Não, pô, você tá com a Ferrari aí?”. Porque ele se referia, que ficou Fazenda, Banco Central… Banco Central perdeu status de Ministro, né? Pô, o Henrique ficou muito prestigiado, né? Mas espera aí, o Henrique também não vai sair fazendo […]. Queria só, não sei se eu… te dar um toque em relação a isso, em relação a… eu não sei o quanto eu vou mais firme no Henrique, o quanto eu deixo ele com essa pepineira dele aí e tal… Enfim.
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Se ele jogar pra cima de você, eu posso bancar e dizer assim: Não, não, qualquer coisa eu falo com ele.
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Pronto. Qualquer coisa… Ah, então. Lógico, lógico. Eu não vou falar nada descabido. Agora, esse presidente do CADE […] falei com ele: “Henrique, é importantíssimo ter o Presidente do CADE ponta firme.”.
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Já foi. Já foi. Em Janeiro agora. Eu falei pra ele. Ele já foi nomeado Presidente.
[Presidente Temer]: Tem que ter uma conversa franca.
[Joesley]: Não sei, então, talvez… Por exemplo, agora tá o Presidente da CVM pra trocar, não trocar… É outro lugar, é fundamental. E aí, queria assim…
[Presidente Temer]: Você poderia falar com ele.
[Joesley]: Mas é que se eu falar com ele e ele empurra pra você, eu poder dizer: “não, não, não, espera aí”.
[Presidente Temer]: Pode fazer.
[Joesley]: Só isso que eu queria ter esse alinhamento, pra gente não ficar… E pra ele perceber que nós estamos…
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Mas quando eu digo de ir mais firme no Henrique é isso. Falar: Henrique, porra, mas você vai levar? Você vai fazer isso? Vô. Então tá bom. Então que ele venha. Pronto, é só esse alinhamento só que eu queria ter…
[Presidente Temer]: Pode fazer isso.
[Joesley]: E todos, em termos assim mais amplos, assim, genéricos… Quando eu falar um negócio, bom, pelo menos vai, consulta lá, vê. O negócio do BNDES lá, da operação, Geddel me falou que teve todo empenho…
[Presidente Temer]: […] não sei exatamente quem […] e eles queriam que […]
[Joesley]: Não deu de um jeito, mas deu do outro, então, tá, e deu certo.
[Presidente Temer]: […] eu chamei e ela veio me explicar. Daí […] mas nós fizemos de outro jeito e deu certo. Então ela…
[Joesley]: É, o BNDES está bem travado. Esse negócio do BNDES é outra. […] influência […] E Maria Silvia está falando com quem? Parece que tá problemático, viu?
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Então.
[Presidente Temer]: […] eu não sei porque tem dois servidores lá que estão com os bens indisponíveis […] os caras não podem mexer e por isso eles estão com medo de mexer em qualquer coisa. Está com uma verba lá de 150 bilhões. […]
[Joesley]: É isso que eu quero. Se ele escorregar eu digo ó, consulta lá.
[Presidente Temer]: Consulta o presidente.
[Joesley]: Consulta e me fala. Tá bom. E Geddel, você tem visto ele?
[Presidente Temer]: Falei com ele hoje por telefone. Mas ele […]
[Joesley]: Ah, é? E ele? Exatamente. O Lula vai voltar? Como é que vai ser as eleições em 2018?
[Presidente Temer]: Não sei. Está desempenhando como nunca […] está ruim, realmente está ruim, está pesado, está quebrada a economia etc. etc., mas eu acho que quando melhorar bem a economia […].
[Joesley]: Com certeza. Casa que falta pão não tem União. Não é assim? Não tem nenhum remédio melhor do que as coisas bem financeiramente… Todo mundo acalma, todo mundo… E no TSE, como é que está?
[Presidente Temer]: O negócio tá com o Herman Benjamin agora. Um troço meio maluco, não consigo […] primeiro que eu acho que não passa negócio da minha cassação, não passa, porque eles têm uma consciência política ‘porra, mais um presidente’. Primeiro. Segundo, […]. Terceiro, caso tenha a procedência da ação, não perco os direitos políticos e uma procedência tem recurso no Supremo e até aí já terminou o mandato. […]
[Joesley]: Então tá bom. Puta que pariu…
[Presidente Temer]: Os aborrecimentos que você tá tendo também, né?
[Joesley]: É duro, Presidente, pelo seguinte. Igualzinho o senhor aqui também, a gente fica equilibrando os pratos. Nós não temos só isso. Tem a empresa, tem o concorrente, tem os Estados Unidos, tem o dia a dia, tem a empresa, e isso de repente tem que parar por conta de resolver coisa… Eu falo lá pro Procurador, eu digo “Dr. Procurador, o senhor quer me investigar, não tem problema. Mas não fica dando solavanco, não. Não fica… sabe, dando solavanco e fazendo medidas… escancaradas, divulgando pra imprensa… Doutor, é o seguinte, eu posso estar certinho, mas eu vou chegar lá morto de tanto solavanco que o senhor vai me dar, se estiver 100% certo, eu morro. Para com isso.”. Da última vez eu falei: “faz um favor pra mim, me denuncia de alguma coisa”. E ele disse: “Mas não tenho nada pra denunciar”. “Então inventa. Para, porque eu não aguento. Se o senhor ficar desse jeito, o senhor vai me quebrar.”. Puta que pariu. E eu sei que o seguinte… Mas tudo bem. Nós somos do couro grosso, né? Vamos lá.
[Presidente Temer]: Vai passar. Vai passar. Não vai ficar a vida toda assim, né?
[Joesley]: Tem… Como se diz, tendo os pés no chão, também, passar vai passar. Tá faltando, talvez, presidente, quando estava ali falando da anistia, o negócio da autoridade… a gente tinha uma coisa objetiva pra lutar pelo que, né, não? Ó, estamos lutando, trabalhando… a gente tinha que pensar o quê? […] esses meninos eles não têm juízo. Não para. Vão ficar… Pum, pum, pum… Porque um delata um, que delata o outro, que delata um, que delata o outro… Delação com a verdade, não precisa provar nada. E você sabe de um negócio, que é o seguinte, eu até perdoo o… já teve uns quatro, cinco que delatou nós. Coisa estapafúrdia. Aquele Sérgio Machado, nunca vi esse cara na vida. Eu vi o vídeo. Eu fiquei pensando… que fala assim: Fala aí da JBS. Não, não tenho nada. Ah, mas então vai preso. Então não vai embora. Não, não conheço esse povo. Não, lembra… senão não fecho. Eu vi o vídeo, o pobre coitado do Sergio Machado que eu não conheço. Ele comemorando o último capítulo, era o JBS. Então fala o JBS. Aí ele decorou, leu um papelzinho lá, tal, tal, tal… Quando acabou: ah, acabou… Tá no vídeo.
[Presidente Temer]: O Sérgio Machado?
[Joesley]: É. Falando de JBS. Nós nunca passamos perto da Petrobras, da… Transpetro. Nunca vi esse Sérgio Machado na vida, nem ele, nem os filhos dele, nada. Mas o Procurador viu… Fala, senão… Fala. Lembra de alguma coisa. Qualquer coisa. Aí o cara… Ah…
[Presidente Temer]: Se pudesse degravar […]
[Joesley]: Eu fico imaginando, teve um menino, numa dessas operações, que estava preso, ele contando, ele teve que falar alguma coisa nossa. Ele contando, dá dó do cara. Falou: Gente, vocês não sabe. Eu fiquei quinze dias humilhado na cadeia, porque não tinha nada pra falar de vocês. Aí foi, foi, foi… eu falei. Você olha pro cara… De tudo que aconteceu conosco até agora, tem só um tal do PIC, que é procedimento investigativo criminal. Não tem nada, não tem uma prova, não tem um dinheiro meu no exterior que eu depositei, não tem uma… E no dia que aconteceu eu estava nos Estados Unidos. Eu liguei pro meu advogado, o que é isso? Ele também não sabia, é criminalista. Não, o delegado disse que não precisa se preocupar… É um PIC, procedimento Investigativo criminal. Só um procedimento investigativo. Tá bom. Meia hora falou ó, bloqueou as contas. Passou mais meia hora, ó, os bens estão bloqueados. Que coisa que não é problema? Passou mais meia horinha… Estão recolhendo os passaportes. Não pode viajar. Tá louco? Daqui a pouco… Ué? Procedimento investigativo tu é preso. Foi onde corri lá no Procurador, dei um seguro garantia de um bilhão e meio… Pronto, resolveu meu problema. Imagina se eu não consigo fazer um negócio desses? É muito desproporcional. Então, eu acho, Presidente, assim, tem que criar… não sei o que também, alguma agenda, alguma coisa. Eu estava lendo PSDB, né, esse choque aí. Agora estão se mexendo, dizendo: Não, não sei o que… […]
[Presidente Temer]: […] e daí começa a dar solução.
[Joesley]: Não vou tomar mais seu tempo não. Obrigado.
[Presidente Temer]: Bom te ver aí, viu.
[Joesley]: Adorei te ver. Nós estamos combinando o seguinte, ó, primeiro, precisando de alguma coisa a gente se fala.
[Presidente Temer]: Obrigado.
[Joesley]: Segundo, estamos lá nos defendendo. Terceiro, o negócio do Henrique, ótimo. E, enfim, se surgir alguma novidade… e se for urgente, eu…
[Presidente Temer]: […]
[Joesley]: Eu gostei desse jeito aqui. Eu vim dirigindo, nem vim com motorista, eu mesmo dirijo.
[Presidente Temer]: […] Rodrigo se identifica lá.
[Joesley]: Eu tinha combinado de vim com ele.
[Presidente Temer]: Ah, você veio sozinho?
[Joesley]: Eu vim sozinho, mas eu liguei pra ele era dez e meia, até por isso que atrasei cinco minutinhos. Aí deu nove e cinquenta mandei mensagem pra ele. Ele não respondeu, deu dez e cinco eu liguei. Cadê? Puta, eu tô num compromisso aqui, vai lá, fala… Eu passei a placa do carro e fui chegando e eles abriram, nem dei meu nome. Fui chegando, viram a placa do carro, entrei… funcionou superbem. O senhor vai mudar pro outro [Palácio do Alvorada]?
[Presidente Temer]: Eu mudei pro outro e fiquei uma semana lá […] Primeiro, tem lá embaixo, né?
[Joesley]: Conheço, conheço, o térreo.
[Presidente Temer]: Em cima, partindo da parte debaixo, então tem oito, dez dormitórios, tem cozinha, tem massagem […] e eu não consegui dormir […]. Falei: vamos voltar. E ela foi pra Bahia três dias e da Bahia daí não aguentei. […]
[Joesley]: É muito frio, aqueles vidrão… Como é que a Dilma aguentava ficar sozinha lá? Bom, deixa eu ir embora. Já é tarde.
[Presidente Temer]: Mas você tá bem disposto, né, Joesley?
[Joesley]: Tô bem. Deixa eu pegar…
[Presidente Temer]: Você emagreceu.
[Joesley]: Emagreci. Estou me alimentando bem. Comendo mais saudável. Mas não é comendo pouco, não. Tô comendo bastante. Mas coisa mais saudável. Menos doce, menos industrializado…
[Presidente Temer]: […]
 
Joesley — Não vai parar com essa merda?
Aécio — Cara, nós tamos vendo (…) Primeiro temos dois caras frágeis pra caralho nessa história é o Eunício [Oliveira, presidente do Senado] e o Rodrigo [Maia, presidente da Câmara], o Rodrigo especialmente também, tinha que dar uma apertada nele que nós tamos vendo o texto (…) na terça-feira.
Joesley — Texto do quê?
Aécio — Não… São duas coisas, primeiro cortar o pra trás (…) de quem doa e de quem recebeu.
Joesley — E de quem recebeu.
Aécio — Tudo. Acabar com tudo esses crimes de falsidade ideológica, papapá, que é que na, na, na mão [dupla], texto pronto nãnã. O Eunício afirmando que tá com colhão pra votar, nós tamo (sic). Porque o negócio agora não dá para ser mais na surdina, tem que ser o seguinte: todo mundo assinar, o PSDB vai assinar, o PT vai assinar, o PMDB vai assinar, tá montada. A ideia é votar na… Porque o Rodrigo devolveu aquela tal das Dez Medidas, a gente vai votar naquelas dez… Naquela merda das Dez Medidas toda essa porra. O que eu tô sentindo? Trabalhando nisso igual um louco.
Joesley — Lógico.
Aécio — O Rodrigo enquanto não chega nele essa merda direto, né?
Joesley — Todo mundo fica com essa. Não…
Aécio — E, meio de lado, não, meio de leve, meio de raspão, né, não vou morrer. O cara, cê tinha que mandar um, um, cê tem ajudado esses caras pra caralho, tinha que mandar um recado pro Rodrigo, alguém seu, tem que votar essa merda de qualquer maneira, assustar um pouco, eu tô assustando ele, entendeu? Se falar coisa sua aí… forte. Não que isso? Resolvido isso tem que entrar no abuso de autoridade… O que esse Congresso tem que fazer. Agora tá uma zona por quê? O Eunício não é o Renan.
Joesley — Já andaram batendo no Eunício aí, né? Já andaram batendo nas coisas do Eunício, negócio da empresa dele, não sei o quê.
Aécio — Ontem até… Eu voltei com o Michel ontem, só eu e o Michel, pra saber também se o cara vai bancar, entendeu? Diz que banca, porque tem que sancionar essa merda, imagina bota cara.
Joesley — E aí ele chega lá e amarela.
Aécio — Aí o povo vai pra rua e ele amarela. Apesar que a turma no torno dele, o Moreira [Franco], esse povo, o próprio [Eliseu] Padilha não vai deixar escapulir. Então chegando finalmente a porra do texto, tá na mão do Eunício.
(…)
Ministro da Justiça é “um bosta de um caralho”, diz Aécio.
Joesley — Esse é bom?
Aécio — Tá na cadeira (…). O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (…). Porque aí mexia na PF. O que que vai acontecer agora? Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2.000 delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João.
Joesley — Pro João.
Aécio — É. O Aécio vai pro Zé (…)
[Vozes intercaladas]
Aécio — Tem que tirar esse cara.
Joesley — É, pô. Esse cara já era. Tá doido.
Aécio — E o motivo igual a esse?
Joesley — Claro. Criou o clima.
Aécio — É ele próprio já estava até preparado para sair.
Joesley — Claro. Criou o clima.
 
 
O diálogo “profético” de Jucá e Machado:
LEIA TRECHOS DOS DIÁLOGOS DIVULGADOS PELA “FOLHA DE S. PAULO”
A data das conversas não foi especificada.
SÉRGIO MACHADO – Mas viu, Romero, então eu acho a situação gravíssima.
ROMERO JUCÁ – Eu ontem fui muito claro. […] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está. Não adianta esse projeto de mandar o Lula para cá ser ministro, para tocar um gabinete, isso termina por jogar no chão a expectativa da economia. Porque se o Lula entrar, ele vai falar para a CUT, para o MST, é só quem ouve ele mais, quem dá algum crédito, o resto ninguém dá mais crédito a ele para porra nenhuma. Concorda comigo? O Lula vai reunir ali com os setores empresariais?
MACHADO – Agora, ele acordou a militância do PT.
JUCÁ – Sim.
MACHADO – Aquele pessoal que resistiu acordou e vai dar merda.
JUCÁ – Eu acho que…
MACHADO – Tem que ter um impeachment.
JUCÁ – Tem que ter impeachment. Não tem saída.
MACHADO – E quem segurar, segura.
JUCÁ – Foi boa a conversa, mas vamos ter outras pela frente.
MACHADO – Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisões de segunda instância], vai todo mundo delatar.
JUCÁ – Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.
MACHADO – Odebrecht vai fazer.
JUCÁ – Seletiva, mas vai fazer.
MACHADO – Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que… O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.
[…]
JUCÁ – Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. […] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
[…]
MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.
MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.
JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.
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[…]
MACHADO – O Renan [Calheiros] é totalmente ‘voador’. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele. Ele não compreendeu isso não.
JUCÁ – Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem.
*
MACHADO – A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado…
JUCÁ – Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com…
MACHADO – Isso, e pegar todo mundo. E o PSDB, não sei se caiu a ficha já.
JUCÁ – Caiu. Todos eles. Aloysio [Nunes, senador], [o hoje ministro José] Serra, Aécio [Neves, senador].
MACHADO – Caiu a ficha. Tasso [Jereissati] também caiu?
JUCÁ – Também. Todo mundo na bandeja para ser comido.
[…]
MACHADO – O primeiro a ser comido vai ser o Aécio.
JUCÁ – Todos, porra. E vão pegando e vão…
MACHADO – [Sussurrando] O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara? [Mudando de assunto] Amigo, eu preciso da sua inteligência.
JUCÁ – Não, veja, eu estou a disposição, você sabe disso. Veja a hora que você quer falar.
MACHADO – Porque se a gente não tiver saída… Porque não tem muito tempo.
JUCÁ – Não, o tempo é emergencial.
MACHADO – É emergencial, então preciso ter uma conversa emergencial com vocês.
JUCÁ – Vá atrás. Eu acho que a gente não pode juntar todo mundo para conversar, viu? […] Eu acho que você deve procurar o [ex-senador do PMDB José] Sarney, deve falar com o Renan, depois que você falar com os dois, colhe as coisas todas, e aí vamos falar nós dois do que você achou e o que eles ponderaram pra gente conversar.
MACHADO – Acha que não pode ter reunião a três?
JUCÁ – Não pode. Isso de ficar juntando para combinar coisa que não tem nada a ver. Os caras já enxergam outra coisa que não é… Depois a gente conversa os três sem você.
MACHADO – Eu acho o seguinte: se não houver uma solução a curto prazo, o nosso risco é grande.
*
MACHADO – É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma…
JUCÁ – Não, esquece. Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não.
MACHADO – O Aécio, rapaz… O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…
JUCÁ – É, a gente viveu tudo.
*
JUCÁ – [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.
MACHADO – Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito. [referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo Ministério Público de SP e à condução coercitiva ele para depor no caso da Lava jato]
JUCÁ – Os caras fizeram para poder inviabilizar ele de ir para um ministério. Agora vira obstrução da Justiça, não está deixando o cara, entendeu? Foi um ato violento…
MACHADO -…E burro […] Tem que ter uma paz, um…
JUCÁ – Eu acho que tem que ter um pacto.
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[…]
MACHADO – Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori [Zavascki, relator da Lava Jato], mas parece que não tem ninguém.
JUCÁ – Não tem. É um cara fechado, foi ela [Dilma] que botou, um cara… Burocrata da… Ex-ministro do STJ [Superior Tribunal de Justiça]
 
 
 
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