“Eles pranta, nóis derroba”

 

Ivair Lima é jornalista, psicólogo e poeta. Tem a verve de trovador niilista, iconoclasta. Mas Liminha se esbalda quando fala em amor, sexo e, principalmente, humor.

Convivemos por felizes treze anos na redação do Diário da Manhã, onde ele nos brindava com insites poéticos que faziam vítima personagens políticos ou colegas de redação.

Em 1998 o então governador Naphitali Alves (PMDB), resolveu remodelar a Avenida Anhanguera, via que corta Goiânia por cerca de 17 km no sentido Leste-Oeste. Além de transtorno aos comerciantes locais a reforma retirou da via centenas de guarirobas.

Desde sua inauguração, na década de 1960, a Anhanguera era conhecida pelas guarirobas , palmeiras que fornecem o palmito amargo tão apreciado na culinária goiana. Em bom”goianês” guariroba vira “guêroba”, e é em protesto a derrubada delas que Lima fez este poema:

 

 

 

 

 

 

 

Gueroba – Eles pranta, nóis derroba

 

Eta Goiânia bonita
É a cidade da gueroba
Não há cristão que evita
Eles pranta nóis derroba

 

Aqui político é tranquilo
E poderoso não se afoba
Mais pobre vive de grilo
Sob as folhas da gueroba
Que eles pranta e nóis derroba

Tem muitos branquelos
E um monte de negro soba
Os outros são amarelos
Tudo comendo gueroba
Que eles pranta e nóis derroba

Corrupto e trabalhador
Muitos a cidade engloba
Tem cheiro e muito fedor
E profusão de gueroba
Que eles pranta e nóis derroba

O trânsito é um terror
Os carro  bate nas gueroba
Mas prá nós não é pobrema
Que eles pranta e nóis derroba

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One Response to ““Eles pranta, nóis derroba””

  1. Ivair Lima disse:

    Marquinhos, vá ler conto “Dona Paula”, do livro “Minha Perna e Maria”, depois a gente conversa.
    Abraços”

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