quarta-feira, 30 julho 2014
Bomba!

Goiano inventa máquina que liberta quebradeiras de babaçu da escravidão

Considerado uma praga para muitos fazendeiros, e um trabalho desumano para muitos, a colheira do coco da  palmeira do babaçu é uma atividade que envolve 300 mil famílias. Hoje é tida como atividade extrativista, mas com a mecanização pode se tornar  mais rentável que a soja. O babaçu produz óleo de alto valor agregado, polpa para merenda escolar, palha para indústria alimentícia e carvão vegetal de ótima qualidade. Equipamento desenvolvido por empresário goiano será apresentado na Marcha das Margaridas, que reúne produtores rurais em Brasília nos dias 16 e 17 de agosto e pode ser a redenção para as mulheres do babaçu.

Equipe: Marcos Antonio (caldeeiro), Altemar Sousa (soldador) e Antonio Pereira (torneiro). Todos estampam orgulho de "tirar as mulheres da miséria"

Natural da cidade de Goiás, advogado, empresário, 52 anos, Aurisan Santana Azevedo é um homem bem sucedido, com fazendas em Goiás,  Mato Grosso e Maranhão. Mas tal qual  Barão de Mauá, que sonhou com a industrialização do Brasil escravagista do II Império, Aurisan Santana sonha com o fim da exploração das quebradeiras do babaçu.

A palmeira ocupa 200 mil km2 nos estados do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí. A atividade de extração da amêndoa ocupa 300 mil famílias. As mulheres estão majoritariamente à frente deste trabalho árduo, rústico e estafante. O corte do coco do babaçu é feito de maneira rudimentar: de cócoras, as mulheres batem o coco num machado, com o corte virado para cima. Crianças reforçam a atividade que rende R$ 270,00 para cada mãe de família.

Aurisan acompanha esta sina das quebradeiras há mais de 12 anos, e sempre lhe incomodou o sofrimento das mulheres e, sobretudo, o baixo rendimento das famílias. Há cerca de cinco anos pôs-se no desenvolvimento do que chama “Projeto Curupira”, que consiste na criação de uma mine-usina de beneficiamento do babaçu. Por quê Curupira? Porque Curupira é a entidade que proteje a floresta, explica.

O babaçu: a casca, polpa, amêndoa e o coco. Cada qual com um valor significativo de mercado

O primeiro protótipo nasceu com ajuda do torneiro mecânico José Edmar. A engenhoca descascava o coco e retirava a amêndoa com certa facilidade, mas havia o desperdício da polpa o chamado mesocarpo do babaçu. Uma nova associação foi feita, desta feita com o engenheiro industrial Sidnei Martins de Sicco, especialista em soluções para indústria de alimentos. Sicco presta serviços às fábricas da Unilerver (antiga Arisco), Assolan e indústrias de atomatados em Goiás e topou o desafio. O resultado foi supreendente: uma máquina que descaroça o babaçu, retirando, separadamente, o EPICARPO, o MESOCARPO e a AMÊNDOA.

O epicarpo ou a palha do babaçu,  é usado na indústria automobilística como fibra para estofamento de bancos. O Mesocarpo ou polpa, é usado na indústria alimentícia, para merenda escolar e é uma das bases de produtos para emagrecimento como o shake da multinacional Herbalife. A amêndoa ou castanha, que contém 65% de óleo, transforma-se em óleo comestível, base para fabricação de glicerina, sabão, cosméticos; sendo que a torta resultante do esmagamento é utilizada na ração animal. O côco, composto de 80% de carbono é tido como um dos melhores carvões vegetais do planeta.

Um protótipo da máquina de beneficiar o babaçu será apresentado  durante a “Marcha das Margaridas”, que acontece nos dias 16 e 17 em Brasília. Considerada uma das principais mobilizações do sindicalismo rural brasileiro e do movimento das mulheres, a marcha vai ocupar a Esplanada dos Ministérios. “É uma oportunidade para o Governo da presidenta Dilma Roussef e o movimento social tomarem conhecimento de um projeto, que se bem gerido pela União, Estados e Municípios, representa o espírito do slogan do governo federal: País rico é país sem miséria”. Este equipamento, utilizado em cooperativas pelas quebradeiras pode ser a redenção de milhares de mulheres do babaçu”, afiança Aurivan.

A mini-usina de processamento, que é tocado por um motor Chevrolet 4/100, conta com uma unidade de biodiesel, esteira para lavagem e esterilização do babaçu, camara de corte do côco, unidade de descaroçamento da palha e separação das amêndoas e a unidade de esmagamento para retirada do óleo e torta do farelo da amêndoa. O protótipo está orçado em R$ 700 mil, mas Aurisan Santana acredita que num processo industrial cada unidade deve ser comercializada por cerca de R$ 400 mil.

 

Beneficiadora de babaçu pode mudar a realidade de miséria do Maranhão

Revolução econômica
A máquina do Projeto Curupira foi pensada para ser utilizada no campo, nos babaçuais. Para isto ela não utiliza eletricidade, gasolina ou óleo diesel. Seu combustível é o próprio côco do babaçu, num processo que foi inventado à época da Segunda Guerra Mundial, no Governo Vargas: o motor a explosão movido a gasogênio. “A idéia é que as mulheres do babaçu tenham autonomia total. A máquina será instalada no próprio babaçual com autonomia plena: a matéria-prima que elas recolhem será também o combustível para tocar o empreendimento”, diz.

Para se ter uma idéia do que representa o processo de beneficamento, alguns números são importantes. A castanha ou amêndoa é vendida entre R$ 0,80 a R$0,90. Uma quebradeira, com exímia perícia, consegue processar 10 kg/dia, ou seja R$ 9,00/dia, R$ 270/mês (considerando o trabalho de 30 dias). O equipamento desenvolvido por Aurisan/Sicco, garante o processamento de 6.000 kg/dia, ou seja R$ 5.400,00 ou R$ 162.000,00/mês. Este modelo, explica, é aplicado para uma cooperativa de 40 quebradeiras. “Assim, trabalhando juntas as quebradeiras podem sair de uma renda mensal de R$ 270,00/mês para algo em torno de R$ 3.400/mês”, sustenta.

Levando-se em conta que o processo artesanal desperdiça a polpa (epicarpo), o mesocarpo (palha) e o próprio coco, o ganho pode ser ainda maior. “A Conab paga R$ 6,00 pelo quilo do mesocarpo”, lembra.

Babaçu é superior à soja
A cultura do babaçu pode suplantar em ganhos diretos a cultura da soja que começa a se implantar no Maranhão e sul do Piauí. Façamos as contas. Há 14 milhões de hectares nativos de babaçu nesta região. Um hectare de soja rende 50 sacas de 50 kg, pagaas R$ 40,00 cada, totalizando um ganho bruto de R$ 2.000,00/hectare. Um hectare de babaçu contém entre 150 a 180 palmeiras, que produzem 30 mil kg de cocos. Cada côco de babaçu contém 23% de mesocarpo, ou seja, 6.900 kg/ha, ao preço de R$ 6,00/kg, totalizando um ganho bruto de R$ 36.000,00/ha.  A comercialização da amêndoa, da fibra e do côco beneficiado multplicam ainda mais o ganho do produtor. Um litro de óleo, que é vendido a R$ 5,00, pode ser obtido com 2 kg de amêndoas.

Boing se interessa pelo querosene de babaçu
Em 23 de outubro de 1984, dia do Aviador, foi registrado o primeiro vôo propelido a Prosene, nome conferido ao bioquerosene feito a partir do óleo de babaçu. Foram queimados mais de 10 mil litros de combustível nas turbinas do Centro Tecnológico de Aeronáutica (CTA), em São José dos Campos (SP), até que o produto final fosse obtido. Naquele dia, um avião Bandeirante, de fabricação brasileira, levantou vôo em São José dos Campos (SP) com destino a Brasília (DF), onde foi recebido com pompa oficial pelo então presidente da República, João Baptista Figueiredo e pelo ministro da Aeronáutica.

Desenvolvido há mais de 20 anos, o bioquerosene brasileiro só agora chama a atenção mundial. No final da década de 1970, o então professor da Universidade Federal do Ceará, Parente desenvolveu o processo de obtenção do biodiesel do babaçu através de uma reação química chamada transesterificação. A recente preocupação com o efeito estufa levou ao estabelecimento de uma parceria entre Brasil e a Boeing, maior fabricante de aviões do planeta.  A empresa firmou um acordo no final de 2006 com o criador do querosene de origem vegetal, o engenheiro químico Expedito Parente, que atualmente dirige a Tecbio, empresa co-fundada por ele, que implanta usinas de biodiesel e dá consultoria técnica para o setor. Durante um ano, a Tecbio fornecerá o combustível que será testado nas turbinas da multinacional, sediada em Seattle, Estados Unidos. O acordo ainda inclui a participação da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Com informações do Uniemp (link: http://migre.me/5tTBe)
Documentário “Mulheres do Babaçu” (http://www.youtube.com/watch?v=jrfWwNXNrG0)

20 comentários

  1. FRANCISCO A SILVA

    PRECISAMOS DE VALORES DE MAQIUNA DE BENEFECIAMENTO DE BABAÇU;POR FAVOR NOS ENVIE O MAIS RAPIDO POSSIVEL,OBRIGADO.

  2. Essa máquina faz a extração da améndoa do coco maduro? Se não existe alguma que faz?

    • A máquina está capacitada a fazer as três etapas:
      1 – extração do mesocarpo
      2 – extração da amêndoa
      3 – extração das fibras

  3. raimundo nonato machado dos santos

    Solicito maiores detalhes, preço e condiçoes de pagamento da maquina pois pretendop instalar uma mini usina de beneficiamento em minha propriedade no Estado do Piaui.

  4. raimundo nonato machado dos santos

    Aqui na região temos maquinas fabricadas no Estado do Ceará

  5. Boa noite Aurizan. A candidata a prefeita de cocalinho-mt, quer entrar em contato com você, para saber como adquirir essa máquina para a associação das quebradeiras de coco de cocalinho-mt. Fone 66-35861378

  6. Olá, tenho enterece em comprar uma maquina dessa, mais não consigo entrar em contato com nenhum representante,por favor se te ver algum contato de algum representante me envie. Aguardo! obrigado.

  7. Oi.
    Boa Tarde.
    Quais os custos dessa maquina.
    estamos interessados

  8. achei muito interessante a materia. qual o preço dessa maquina e aonde vc entregam. entregam em qual cidade do maranhão.fone (99) 82015131 (TIM)

  9. qual o preço dessa maquina?
    como faço para adiquirir?
    fone: 098-96153067 (oi)
    quero a resposta o mais rapido possivel!

  10. Antonio Bento Pereira

    Gostaria que nos enviasse um vídeo desta maquina em funcionamento .

    Tenho uma firma de consultoria comercial com vários clientes neste seguimento , consumidores de Endocarpo, Epicarpo triturados, amêndoas e Mesocarpo.

    Caso tenha interesse, posso ajudar as pessoas que compraram maquinas a negociar seus produtos .

    Grato,
    Bento
    (98-3226-3574 // 8881-9642

  11. Olá! Estamos interessado nessa máquina e outros equipamentos, como prensa hidráulica, despeculadeira. Onde encontro esse equipamento? me passe um contato.

  12. Os magnatas da soja estão devastando as florestas do Sul do Maranhão. O que será das florestas de babaçu do Norte do Estado e das quebradeiras de coco que vive exclusivamente desse fruto tão importante que a natureza generosamente nos presenteou. Já sabemos que o poder Executivo, Legislativo e Judiciário desse Estado, não tem coragem e muito menos envergadura para enfrentar esses delinquentes ambiciosos que assola nossas florestas e nosso povo. Essa tecnologia que vocês criaram, pode ser uma alternativa de resgatar nossas quebradeiras de coco que já estão sumindo dos babacuais.

  13. gostaria de saber o preço dessa maquina
    como faço caso queira comprar

  14. Marcos Antonio de Oliveira

    GOSTARIA DE SABER MAIS INFORMAÇÃO SOBRE ESTA MAQUINA QUE QUEBRA O COCO DE BABAÇU,SE ELA QUEBRA E SEPARA OS PRODUTOS ,POIS TENHO GRANDE INTERESE NESTA MAQUINA POIS ME ENVIE RESPOSTA COM URG OBR..

    • Marcos Antonio de Oliveira

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  15. Boa tarde, possuo uma agroindustria que extrai óleo de coco babau gostaria de obter informações sobre esta máquina, para aumentar a capacidade produtiva e buscar novos mercados.
    Gentileza entrar em contato atravé do telefone:(88)88614007 ou email:marcos-antonio-pereira@hotmail.com

  16. Fernando Ribeiro Campos Reis

    gostaria de saber o preço da maquina de quebrar coco babaçu. estou interessada em uma que nao seje muito grande.

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